Advogada russa que se reuniu com filho de Trump diz que aceita falar nos EUA

Moscou, 19 jul (EFE).- A advogada russa Natalia Veselnitskaya, protagonista da polêmica reunião que teve com o filho do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou que aceitaria ir ao Congresso americano para dar explicações.

Em uma entrevista na noite desta terça-feira à emissora de televisão russa "RT", Veselnitskaya garantiu que faria isso se lhe dessem garantias de segurança.

"Estou disposta a esclarecer a situação em vista da histeria atual, mas dentro do marco jurídico: através dos advogados ou com uma declaração no Senado", destacou.

Segundo suas palavras, a situação e as notícias relacionadas com este caso que se desenvolve há mais de 10 dias "é uma história bem dirigida por um manipulador".

De acordo com a advogada, o escândalo sobre a reunião entre Donald Trump Jr. e ela foi orquestrado por William Browder, diretor-geral do fundo de investimentos Hermitage Capital.

Veselnitskaya assegurou que Browder recopilou informação sobre seus filhos, sua família e seu estado civil.

"Depois compartilhou esta informação com representantes do Departamento de Estado. Não sei para que o fizeram", apontou.

"O senhor Browder é um grande especialista em tecnologia e um manipulador dos meios de informação", acrescentou Veselnitskaya.

A jurista está convencida de que Browder organizou esta operação de desinformação em grande escala como vingança pela derrota que sofreu em um tribunal dos EUA em 2013 contra uma equipe de advogados que incluía à própria Veselnitskaya.

"Não tenho nenhuma dúvida que toda esta informação é alimentada e incitada por esta pessoa para vingar-se pelo fracasso que sofreu em um tribunal do distrito sul de Nova York", explicou.

O escândalo foi revelado pelo jornal "The New York Times", que informou que o primogênito de Trump, junto ao então chefe de campanha do empresário, Paul Manafort, e o seu cunhado, Jared Kushner, se reuniram com essa advogada russa em junho de 2016, supostamente para obter informação que prejudicasse a então candidata democrata à Casa Branca, Hillay Clinton.

Pouco depois, Donald Trump Jr. acabou publicando e-mails dessas datas nos quais recebe com entusiasmo a idéia de receber informação sobre Hillary da advogada russa. Mas então ressaltou que a reunião foi uma "perda de tempo" porque não houve nenhuma informação desse tipo.

A própria advogada, em uma entrevista à emissora americana "NBC", negou que tivesse qualquer relação com o Kremlin, e, portanto, com a suposta ingerência russa nas eleições dos EUA.

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