Clã mafioso é desarticulado com 34 prisões e embargos de 60 milhões de euros

Roma, 19 jul (EFE).- A polícia da Itália desarticulou nesta quarta-feira o clã mafioso de Brancaccio, um bairro da siciliana Palermo, com a detenção de 34 membros e cúmplices e o embargo de bens no valor total de 60 milhões de euros, informou a corporação em um comunicado.

As prisões cautelares e os embargos aconteceram na região da Sicília, tradicional base da Cosa Nostra, mas também em outras áreas do país como Apulia, Lacio e Toscana, no centro, e na setentrional Emilia Romagna y Liguria.

Todos os detidos estão acusados de formar o clã do bairro de Brancaccio e entre eles está também o homem apontado como chefe do grupo, Pietro Tagliavia, que comandava a organização apesar de estar em detenção domiciliar desde 2011 por outros delitos.

As investigações prévias à operação, que ocorreu de madrugada, permitiram desvendar episódios de ameaças, extorsão, roubo e porte ilícito de armas, bem como reconstruir o organograma dos clãs que compunham a organização.

Os mafiosos de Brancaccio se enriqueciam através do tráfico de entorpecentes e com a gestão, por meio de testas-de-ferro, de um grupo de empresas atuante em todo o território nacional e dedicado especialmente ao comércio de embalagens industriais e ao jogo.

Entre os detidos também está o irmão de Giovanni Lo Porto, cooperante sequestrado no Paquistão pela Al Qaeda em 2012 e que morreu três anos mais tarde durante um bombardeio dos Estados Unidos.

O seu irmão Giuseppe era um dos mais estreitos colaboradores de Tagliavia e ocupava-se especialmente de administrar o "pizzo", o imposto que a máfia pede aos empresários.

As investigações permitiram comprovar as extorsões às quais o clã submetia empresas construtoras e pequenos comércios históricos da cidade de Palermo, chegando inclusive a incendiar as propriedades de quem se recusava a pagar o mencionado imposto.

Lo Porto também se encarregava de repartir recursos econômicos às famílias dos mafiosos detidos para a sua manutenção, uma tarefa essencial para manter o equilíbrio entre os clãs que formam uma organização criminosa.

Paralelamente, a polícia militar de Palermo e de Trapani, também na Sicília, embargou 1,5 milhão de euros em bens da família do ex-chefe da Cosa Nostra, Salvatore "Totò" Riina, em isolamento desde 1993.

Entre estes bens, segundo os meios, aparecem empresas, uma vila no município costeiro de Mazara dal Vallo, no nome de um testa-de-ferro, 38 contas bancárias e numerosos terrenos de Riina, atualmente na prisão por seus numerosos e sangrentos crimes.

Estas operações acontecem no dia em que a Itália lembra o 25º aniversário do assassinato do juiz Paolo Borsellino, em um atentado com carro-bomba ordenado pelo próprio Riina, dois meses após matar também juiz Giovanni Falcone.

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