Defensores dos direitos humanos comemoram venda legal de maconha no Uruguai

Montevidéu, 19 jul (EFE).- Defensores dos direitos humanos do Uruguai comemoraram nesta quarta-feira o início da venda legal de maconha em farmácias e consideraram este um "dia histórico", disse Florença Lemos, porta-voz da organização civil Prodireitos.

A comercialização da maconha em farmácias, autorizada pela Lei de Regulamento da Maconha aprovada em 2013, constitui a última das três vias implementadas para o acesso recreativo à droga, junto com o autocultivo e os 'clubes cannábicos'.

"Como usuários, a partir de hoje vamos ter três caminhos diferentes para ter acesso e optar por uma maconha que vem da legalidade", ressaltou Lemos.

A implementação da venda em farmácia terá "repercussões na saúde dos usuários" por ser uma droga de "melhor qualidade" que a oferecida pelo mercado ilícito e também resultará uma "maior segurança", já que os consumidores não terão que comprar a maconha ilegalmente.

"Abre uma fenda" em uma política global do proibicionismo, expressou Lemos, que destacou o caráter "excepcional" da medida implementada pelo governo uruguaio, que "se faz responsável perante a realidade e opta por vias alternativas, vias que tendem aos Direitos Humanos e à saúde das pessoas".

A medida levada adiante pelo Estado uruguaio vai contra as medidas "proibicionistas" implementadas por outros países da América Latina, onde "a guerra contra as drogas atentou contra as democracias, prejudicando as economias e aprofundando as desigualdades sociais", enfatizou a porta-voz.

A América Latina é a região que "mais sofreu as consequências" desta guerra, com "centenas de milhares de mortos e desaparecidos", devido a políticas que "têm objetivos declarados que não são os que efetivamente cumprem" e que "fizeram do proibicionismo uma guerra contra as pessoas", destacou.

"Todos os países podem implementar mudanças que visam alcançar objetivos reais", comentou Lemos, que explicou que "o Uruguai não é um país produtor, mas um país de passagem" e portanto "pôde optar por esta alternativa".

A porta-voz questionou a "falta de transparência" na implementação da venda em farmácias, que levou mais de três anos ao governo uruguaio, e criticou a "nula implementação da maconha medicinal".

"Hoje em dia há uma demanda relativamente alta de parentes e de pacientes que estão usando (maconha) como alternativas para os tratamentos médicos convencionais", motivo pelo qual "o Estado tem que garantir acesso seguro e de qualidade" e, se possível, com "produção nacional", afirmou Lemos.

Quanto à qualidade da maconha que será vendida nas farmácias, a ativista ressaltou que o produto "pode chegar a ser suave" quanto aos efeitos psicoativos e que "é totalmente diferente" do que comercializado no mercado ilícito, "tanto no aroma como na textura e também no preço, "que vai a estar acessível".

A implementação da venda em farmácias é "um primeiro passo" para "gerar outros vínculos com as substâncias", ressaltou Lemos, que se referiu ao caráter experimental da medida e destacou que durante esta dia "os usuários vão se aproximar (aos locais), e testar a qualidade do produto".

Lemos afirmou que "há poucos inscritos" no registro oficial de consumidores de maconha (cerca de cinco mil), mas "muitos (consumidores) que querem ver" como evolui a implementação "para depois ver se aderem ao sistema".

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