"Exército de meninas" declara guerra ao polêmico presidente das Filipinas

Atahualpa Amerise.

Manila, 19 jul (EFE).- Apoiado pela sociedade e pelo Congresso, o polêmico presidente das Filipinas, Rodrigo Duterte, encontrou oposição em um colégio de monjas de Manila, onde milhares de meninas lutam contra sua sangrenta "guerra antidrogas".

Com apenas 13 anos, a aluna Shabby de Guzmán deixou de ser alvo de ameaças nas redes sociais por criticar Duterte para se estabelecer como símbolo e líder das rebeldes que saíram nesta terça-feira às ruas para protestar em pleno centro da capital.

"Tudo começa com a juventude. Pode inspirar muita gente porque os jovens são o símbolo da esperança e a luz de uma nação", disse à Agência Efe esta jovem ativista, cujos óculos escuros e redondos protegem um olhar tímido, que contrasta com a inabalável determinação de melhorar seu país.

Para alcançar este objetivo, Shabby conta com o seu próprio exército: mais de mil alunas de entre 13 e 16 anos com o uniforme branco e azul marinho do colégio Santa Escolástica, uma escola particular de elite administrada por monjas beneditinas no bairro de Malate.

Em muitos de seus cartazes se lê a palavra "Dutertador", mistura de Duterte e ditador, criada pelo grupo Youth Resist (Resistência da Juventude) para confrontar o presidente e seu conhecido costume de discursar para multidões e pedir que matem sem piedade traficantes e usuários de drogas.

Em sua missão de acabar com as drogas a todo custo desde que chegou ao poder, há um ano, Duterte criou um clima de impunidade em que mais de sete mil suspeitos - segundo estimativas - morreram, metade deles pelas mãos de agentes da polícia após supostamente resistirem à prisão.

Apesar do sangrento balanço, o presidente tem um forte apoio da população - 82%, segundo uma pesquisa publicada nesta semana - e tem ao seu lado a maioria dos deputados e parte dos senadores que compõem o Congresso das Filipinas.

Com a posição cômoda dada por esses apoios, as meninas da Santa Escolástica querem se tornar a pedra no sapato de Duterte.

"É difícil conseguir a mudança, mas prefiro tentar antes do que pensar que não fiz nada para lutar contra esta situação", declarou à Efe a estudante Yuki Abion, de 14 anos, com uma surpreendente eloquência.

Para Yuki, em cujo cartaz se lê "hindi ito isang lapida" (isto não é uma lápide), o principal problema da campanha antidrogas é a banalização do assassinato como modo de combater o crime e a toxicomania, doenças endêmicas de um país em desenvolvimento e com grandes desigualdades sociais entre os seus 100 milhões de habitantes.

"O problema é pensar que o assassinato é patriótico, que nos encorajem a assassinar com o argumento de que algumas pessoas não o são. A noção de que algumas vidas valem mais que outras é falaciosa por natureza, e essa é a influência que o presidente está dando aos jovens", destacou a adolescente.

Sua colega e líder estudantil Shibby, que garante não ter medo apesar de receber constantes ameaças dos "trolls" governistas, acredita que torcer o braço de ferro de Duterte passa por "abandonar a zona de conforto dos smartphones e da internet e ir às ruas".

"A minha mensagem é: não tenha medo. Se você ama seu país, vá a manifestações, fale com as pessoas, fale das execuções extrajudiciais", concluiu a menina que sonha em pôr em xeque o homem mais poderoso das Filipinas.

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