Justiça tailandesa condena mais de 60 por tráfico de pessoas

Bangcoc, 19 jul (EFE). - Pelo menos 60 pessoas, entre elas militares, policiais e empresários, foram condenadas nesta quarta-feira em um megajulgamento realizado em Bangcoc contra uma rede de tráfico de seres humanos.

Entre os culpados estão os líderes do grupo Manhas Kongpan - general do Exército - e Patchuban Angchotipan - executivo e alto funcionário da província de Satun, no sul do país. Ontem, uma ONG denunciou que testemunhas e intérpretes foram ameaçados durante o processo e não tinham proteção policial.

O julgamento começou em 2015, depois que vários acampamentos clandestinos por onde refugiados rohingyas e imigrantes de Bangladesh tinham passado foram descobertos no sul da Tailândia. No local havia túmulos e cadáveres.

Paween Pongsirin, o policial tailandês que liderou a investigação do caso, pediu asilo na Austrália no final de 2015 por conta de ameaças recebidas. Ele se encarregou das investigações após a descoberta dos corpos enterrados de 36 imigrantes, em maio de 2015. Conforme as análises, eles eram reféns da rede.

A descoberta dos campos clandestinos interrompeu o canal habitual deste crime, que tem como destino principal a Malásia. Isto fez com que a máfia abandonasse milhares pessoas sem documento em embarcações que ficaram à deriva por dias perante as dúvidas de Tailândia, Malásia e Indonésia em dar acolhimento, na pior crise de refugiados que a região viveu em décadas.

Os rohingyas são uma minoria apátrida perseguida em Myanmar, onde é considerada pelas autoridades e grande parte da maioria budista "imigrante ilegal" de Bangladesh, apesar de também não ser reconhecida no país vizinho.

No mês passado, o Departamento de Estado dos Estados Unidos elevou à Tailândia do nível 3 ao 2 no relatório anual sobre Tráfico de Pessoas (TIP, siglas em inglês). No nível 2 estão as nações que, segundo os Estados Unidos, não cumprem as normas, mas se esforçam para tal.

A Tailândia se comprometeu a melhorar as condições dos refugiados, apesar de que não ter assinado a Convenção de Genebra, de 1951, nem o Protocolo relativo ao Estatuto dos Refugiados, de 1967.

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