Mercosul realizará cúpula na Argentina com renovada agenda comercial

Buenos Aires, 19 jul (EFE).- Os chanceleres dos países-membros do Mercosul se reunirão nesta quinta-feira na cidade argentina de Mendoza, na véspera da cúpula de sexta-feira, o primeiro encontro de presidentes no último um ano e meio de um bloco que apostou fortemente em reativar sua agenda comercial.

A reunião do Conselho do Mercado Comum (CMC), órgão de decisão política do Mercosul e integrado, além dos chanceleres, pelos ministros de Economia de Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai, será realizada na capital de Mendoza, província que pela terceira vez recebe uma cúpula do bloco.

As deliberações, precedidas por reuniões dos coordenadores técnicos, acontecerão em um hotel fora da zona central da cidade, em meio a um forte dispositivo de segurança.

Os ministros dos quatro sócios fundadores do bloco pretendem reunir-se pela manhã para terminar de definir todas aquelas decisões que serão colocadas para a consideração final dos presidentes na sexta-feira.

Pouco antes haverá um café da manhã de trabalho dos ministros de Economia e de presidentes de bancos centrais.

Na tarde de quinta-feira está previsto que se somem ao dialogo representantes dos países associados ao Mercosul (Chile, Peru, Equador, Colômbia, Suriname, Guiana e Bolívia, este último em processo de adesão como membro pleno) e do México.

A Venezuela está impedida de participar como Estado-parte depois que, em dezembro do ano passado, foi suspensa por descumprir o prazo para incorporar à sua legislação nacional todas as normativas do Mercosul, um requisito previsto em seu protocolo de adesão, que entrou em vigência em agosto de 2012.

Mesmo assim, a expectativa é que a severa crise que atravessa a Venezuela seja um dos grandes temas da agenda política da reunião em Mendoza.

No início deste mês, depois que simpatizantes do chavismo invadiram de forma violenta o parlamento venezuelano, o Mercosul emitiu um comunicado condenando os fatos como um "desrespeito do Executivo sobre outro poder do Estado, inadmissível no marco da institucionalidade democrática".

A crise venezuelana e a complexidade da situação do país caribenho dentro do bloco sul-americano foram em parte responsáveis pelo fato de, no ano passado, as cúpulas semestrais do Mercosul terem sido rebaixadas a reuniões de chanceleres, razão pela qual os presidentes não se reúnem desde o encontro de Assunção no final de 2015.

Segundo confirmaram à Efe fontes oficiais, com exceção deste complicado assunto, a agenda desta cúpula se perfila com um forte caráter comercial.

Na sexta-feira passada, em um encontro em Brasília, os chanceleres de Brasil e Argentina concordaram que é necessário que o Mercosul elimine os impedimentos ao comércio entre os seus membros e concretize o acordo com a União Europeia (UE), que é negociado há quase duas décadas.

A união fundada em 1991 chega a esta cúpula após um semestre no qual a Argentina, que esteve neste período à frente da presidência rotativa do bloco, conseguiu imprimir um renovado dinamismo à agenda externa do Mercosul.

Em particular, se destacam as duas rodadas de negociação com a UE, o compromisso de promover outra em outubro e um sem-fim de demonstrações de respaldo politico de alto nível para chegar a um acordo no final deste ano.

Neste semestre, sob a titularidade da Argentina, o Mercosul realizou também a primeira rodada de negociação para um acordo de livre comércio com a Associação Europeia de Livre Comércio (EFTA: Islândia, Liechtenstein, Noruega e Suíça) e teve reuniões de aproximação com Japão, Coreia do Sul, Canadá e o bloco CER (Closer Economic Relations, composto por Austrália e Nova Zelândia).

Segundo as fontes consultadas por Efe, na cúpula em Mendoza, na qual o Brasil assumirá a presidência semestral do bloco, se esperam ainda demonstrações de aproximação entre o Mercosul e a Aliança do Pacífico (Chile, Peru, Colômbia e México).

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