Trump pede fim de votação ilegal em comissão que investiga suposta fraude

Miriam Burgués.

Washington, 19 jul (EFE).- O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, exigiu nesta quarta-feira o fim de qualquer forma de votação "ilegal" perante a primeira reunião da Comissão de Integridade Eleitoral, criada após suas denúncias sem provas de uma suposta fraude contra ele nas eleições de novembro do ano passado.

"Qualquer forma de votação ilegal ou fraudulenta, seja de não cidadão ou falecido, e qualquer forma de supressão ou intimidação de eleitores deve ser contida", ressaltou Trump na Casa Branca perante a comissão, liderada pelo vice-presidente Mike Pence e que apresentará um relatório com conclusões durante 2018.

Trump afirmou que este assunto é "muito importante" para ele, já que durante a campanha eleitoral, "e inclusive depois", escutou preocupações dos cidadãos sobre "inconsistências e irregularidades" na votação que, em alguns casos, tinham a ver com "grandes quantidades de pessoas em certos estados".

A comissão esteve sob escrutínio antes de começar a operar porque sua criação responde às denúncias de Trump de uma suposta fraude eleitoral, consideradas completamente infundadas pelos especialistas e sobre as quais o republicano ainda não ofereceu nenhuma prova.

Trump derrotou em novembro sua rival, Hillary Clinton, no sistema de colégio eleitoral por 304 delegados a 232, mas a democrata obteve cerca de três milhões de votos a mais que o agora presidente.

O magnata chegou a dizer que nas eleições votaram de três a cinco milhões de imigrantes ilegais, razão pela qual, ao seu julgamento, a ex-secretária de Estado teve uma votação maior.

Hoje Trump não entrou em detalhes, mas afirmou que "proteger a integridade" do voto "não é um assunto democrata ou republicano", mas "americano".

Recentemente a comissão solicitou aos 50 estados do país informações detalhadas sobre o registro de eleitores, que inclui nomes, datas de nascimento e antecedentes eleitorais, com o objetivo de analisar o alcance de uma possível fraude em novembro.

Segundo a comissão, todas as informações solicitadas são de domínio público, mas quase 20 estados se negaram a fornecê-las porque afirmam que incluem dados privados dos cidadãos, como os últimos números do seguro social.

Se um estado "não quer compartilhar esta informação, alguém tem que se perguntar sobre o que lhes preocupa (...) O que lhes preocupa? Há algo. Sempre há", questionou Trump.

Ao assegurar que o processo de revisão do sistema eleitoral que a comissão fará será "muito transparente" e que seus integrantes "seguirão de maneira imparcial e objetiva os fatos onde quer que possam levar", Trump pediu que todos os estados deem "pleno apoio" ao seu trabalho.

Um dos aspectos mais questionados da comissão é o perfil do seu vice-presidente, o republicano Kris Kobach, secretário de estado do Kansas e partidário de leis mais estritas para a identificação dos eleitores que, na prática, representam impedimentos ao direito ao voto das minorias e outros grupos que tendem a apoiar os democratas.

Em um artigo publicado nesta quarta-feira na revista "Time", o presidente do Comitê Nacional Democrata (DNC), Tom Perez, denunciou que a comissão é realmente "uma fábrica de propaganda para justificar os esforços mais amplos do Partido Republicano de supressão de eleitores".

Perez lembrou que, segundo o Centro Brennan para a Justiça, da Universidade de Nova York, um total de 14 estados, todos eles controlados por governadores republicanos, acrescentaram restrições ao direito ao voto antes das eleições de 2016.

Enquanto isso, quatro legisladores democratas da Câmara de Representantes enviaram uma carta a Pence, como presidente da comissão, na qual pedem a renúncia de Kobach, a quem acusam de violar leis federais de transparência e privacidade.

Por sua vez, Kobach negou que o objetivo da comissão seja restringir o direito ao voto para a obtenção de um maior controle federal dos sistemas eleitorais locais e estaduais.

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