Ex-procuradora peruana acusa Kuczynski de ingerência no caso Odebrecht

Lima, 20 jul (EFE).- A ex-presidente do Conselho de Defesa Jurídica do Estado do Peru (CDJE), Julia Príncipe, afirmou nesta quinta-feira que foi demitida do comando das investigações sobre a Lava Jato junto com a procuradora Katherine Ampuero após um pedido do presidente do país, Pedro Pablo Kuczynski, e do primeiro-ministro peruano, Fernando Zavala.

Príncipe concedeu uma entrevista coletiva na qual denunciou a "ingerência política" do governo nas investigações das propinas pagas pela Odebrecht no país.

Segundo ela, a ministra da Justiça, Marisol Pérez Tello, disse que a saída de Ampuero era um pedido de Kuczynski e Zavala. Ao se opor à decisão, Príncipe também acabou demitida.

A ex-chefe dos procuradores peruanos indicou que o governo está incomodado com a denúncia do procurador Amado Enco sobre o contrato para a construção do novo aeroporto de Cuzco, já suspenso, e com o pedido feito por Ampuero para que Kuczynski fosse investigado em um dos processos que envolvem a Odebrecht do país.

"Em março surgiram diálogos com a ministra Marisol Pérez Tello, nos quais ela manifesta sua inconformidade em reiteradas ocasiões sobre o desempenho funcional de ambos os procuradores", explicou.

Pérez Tello anunciou ontem a demissão de Ampuero por supostamente ter apresentado um recurso que evitará que a Odebrecht pague uma reparação civil ao Peru pelas propinas pagas no país.

Após a decisão, também foi confirmada a saída de Príncipe.

A procuradora apresentou ontem uma ordem de restrição contra o Projeto de Irrigação Olmos, aceito pela Justiça do Peru, que impedirá que a Odebrecht transfira as ações que possui para outras duas empresas ligadas à iniciativa.

A Odebrecht indicou hoje, em comunicado, que "segue tendo como principal missão garantir a venda de seus ativos, cumprindo com os respectivos procedimentos legais". No caso da venda de Olmos, a empresa "negou categoricamente que tenha solicitado que o pagamento integral fosse destinado aos bancos".

"O pedido foi feito para que se aplicasse uma porcentagem de retenção para a Fidúcia de Reparação Civil, de tal forma que também se priorize o pagamento a fornecedores e trabalhadores no Peru, que não têm porque serem prejudicados por assuntos que se encontram em discussão na via judicial", disse a Odebrecht em nota.

"Seguimos promovendo os melhores esforços para chegar a um acordo de colaboração que inclua um valor e uma forma de pagamento de uma justa reparação ao Estado", completou o comunicado.

Pérez Tello negou hoje que o governo tenha pressionado para demitir as duas procuradoras e afirmou que já tinha perdido a confiança em Ampuero porque ela não assumiu a responsabilidade de assegurar a reparação civil que a Odebrecht deveria pagar.

"Não há pessoas indispensáveis, nem mesmo eu. Aqui não há ingerência, a autonomia da procuradoria é garantida", afirmou.

A ministra disse que, diante da oposição de Príncipe à saída de Ampuero, não teve outra alternativa a não ser demiti-la do comando da CJDE para assumir o cargo ela própria.

No Peru, a Justiça investiga os US$ 29 milhões pagos em propinas pela Odebrecht em um período que compreende os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

O escândalo já provocou a prisão preventiva de Humala e sua esposa, Nadine Herédia, e um pedido similar, que ainda não foi cumprido, para Toledo e sua esposa, Elianne Karp.

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