EUA proibirão viagens de seus cidadãos à Coreia do Norte

(Atualiza com confirmação do Departamento de Estado dos EUA).

Pequim/Washington, 21 jul (EFE).- O governo dos Estados Unidos proibirá em breve as viagens de seus cidadãos à Coreia do Norte, após a morte de Otto Warmbier, o estudante que viajou como turista ao país asiático e acabou em coma após ser condenado a 15 anos de trabalhos forçados por tentar roubar um cartaz de propaganda.

"Devido às preocupações crescentes pelo grave risco de prisão e detenção de longo prazo sob o sistema legal norte-coreano, o secretário (de Estado, Rex Tillerson) autorizou uma Restrição de Viagens Geográficas a todos os cidadãos americanos para viagens à Coreia", afirmou em um comunicado a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert.

"Uma vez que entrar em vigor, os passaportes americanos não serão válidos para viajar para, por e na Coreia do Norte, e as pessoas deverão obter um passaporte com uma validação especial para viajarem à Coreia do Norte e dentro do país", acrescentou o departamento na nota.

Segundo a porta-voz, as pessoas que desejam viajar à Coreia do Norte para "determinados fins humanitários e de outro tipo" podem solicitar ao Departamento de Estado um passaporte de validação especial.

Aparentemente, a proibição será anunciada no próximo dia 27 de julho e entrará em vigor 30 dias depois, segundo detalhou à Agência Efe um dos cofundadores da Koryo Tours, Nicholas Bonner, com base na informação da Embaixada da Suécia em Pyongyang, que colabora com os EUA em assuntos consulares da Coreia do Norte.

A Young Pioneer Tours, a agência com a qual Warmbier viajou ao país, também confirmou a futura proibição e advertiu em um comunicado em seu site que, a partir do momento em que entrar em vigor, o governo invalidará o passaporte de qualquer americano que viajar à Coreia do Norte.

O jovem Warmbier contratou os serviços de Young Pioneer Tours para visitar a Coreia do Norte no final de 2015. Ao término de sua viagem como turista, o jovem foi detido e sentenciado a 15 anos de trabalhos forçados após ser acusado de roubar um cartaz de propaganda do hotel em que se hospedou.

Pyongyang o libertou em junho deste ano em estado de coma, mas Warmbier acabou morrendo seis dias depois, aos 22 anos.

A morte de Warmbier pôs então em evidência a obscura indústria do turismo na Coreia do Norte e o perigo que pode representar entrar em um país que oficialmente segue em guerra com os EUA e a Coreia do Sul.

Até hoje, outros três turistas americanos - além de Warmbier - foram detidos, todos entre 2013 e 2014, e os mesmos foram repatriados após vários meses de detenção.

Além disso, outra turista sul-coreana morreu em 2008 ao ser baleada por um soldado norte-coreano após supostamente entrar em uma área militar restrita.

Entre os operadores do setor de turismo, muitos já esperavam que os EUA impusessem algum veto às viagens à Coreia do Norte, principalmente para evitar que mais americanos sejam detidos por um regime que os utiliza como moeda de troca.

Não obstante, a medida pode não ter o efeito esperado, pois a Coreia do Norte expede os vistos separadamente e não o carimba nos passaportes, um procedimento que também era utilizado em Cuba e que muitos americanos aproveitaram para visitar a ilha como turistas apesar das restrições.

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