Temer assume presidência do Mercosul em momento crítico para governo

Natalia Kidd.

Mendoza (Argentina), 21 jul (EFE). - O presidente Michel Temer assumiu nesta sexta-feira a sua primeira presidência rotativa em um Mercado Comum do Sul (Mercosul) que pretende fechar neste ano um ambicioso acordo com a União Europeia (UE), que ele conduzirá enquanto lida com as denúncias contra o seu governo.

Temer, que recebeu a função do presidente argentino, Mauricio Macri, disse que um dos desafios será o fortalecimento da "vocação original" do bloco, também integrado pelo Uruguai e pelo Paraguai.

"Será uma presidência brasileira muito rica e muito produtiva. Conto com o apoio de todos", disse aos demais presidentes, reunidos na cidade argentina de Mendoza.

O presidente brasileiro prometeu avançar na eliminação de barreiras comerciais, nas negociações com a União Europeia e com outros blocos, na maior aproximação com a Aliança do Pacífico e acompanhar de perto a grave crise política e social na Venezuela, país que foi suspenso em dezembro da função de membro-pleno do Mercosul.

Em meio a denúncias de corrupção, ele precisará assumir o maior desafio para o Mercosul: concluir até o fim de ano uma negociação com a União Europeia (UE) para um tratado de livre-comércio que está a quase duas décadas sendo debatido.

O assunto é visto com cautela do outro lado do Atlântico. No mês passado, 20 eurodeputados de esquerda pediram à alta representante da UE para Política Externa, Federica Mogherini, suspender as negociações com o Mercosul por conta da crise política no Brasil.

Há duas semanas, ainda que sem mencionar expressamente o Brasil, o comissário europeu de Agricultura e Desenvolvimento Rural, Phil Hogan, afirmou que as "dificuldades políticas" dos países do Mercosul "não contribuem positivamente para conseguir um acordo em 2017", apesar de dizer que existem "bons avanços" na negociação.

Para o economista argentino Dante Sica, diretor da consultora Abeceb e especialista em negociações comerciais internacionais, a "forte debilidade política" do Brasil não necessariamente será um empecilho para avançar nas conversas.

Conforme disse à Efe, o Itamaraty conta com quadros técnicos "muito eficientes, fortes e estáveis no tempo" que são os que levarão a negociação dos detalhes do acordo, um ponto a favor em que o Mercosul pode se apoiar.

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