Trump atua para desacreditar investigação sobre ligação de sua campanha com Rússia

Em Washington

  • Saul Loeb/AFP Photo

    Presidente dos EUA, Donald Trump, em evento na Casa Branca nesta quinta-feira

    Presidente dos EUA, Donald Trump, em evento na Casa Branca nesta quinta-feira

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, está buscando limitar o impacto da investigação sobre as ligações entre sua campanha à presidência e o Kremlin, com uma estratégia para deslegitimar a equipe de acusação, informou na quinta-feira (20) o jornal "The Washington Post".

Os advogados que trabalham para Trump estão elaborando uma lista com possíveis conflitos de interesse na equipe de Robert Mueller, o procurador especial designado para investigar o caso, com o objetivo de removê-lo da investigação ou menosprezar os resultados apresentados.

De acordo com o jornal "The New York Times", os advogados do presidente fazem buscas pelos casos e clientes passados dos 12 promotores que integram a equipe e analisam as doações que alguns fizeram no passado para políticos democratas.

Andrew Weissmann, por exemplo, ex-funcionário do Departamento de Justiça e especialista em crimes financeiros e fraude, fez doações para vários políticos, entre eles, o ex-presidente Barack Obama.

De acordo com os jornais americanos, que citam fontes conhecedoras da questão, mas sem revelar suas identidades, Trump está descontente com o rumo da investigação, que não apenas está averiguando a suposta ingerência russa, mas também as finanças e os negócios que o magnata fez antes de chegar à Casa Branca.

O próprio Trump deixou claro o seu desagrado em uma entrevista publicada, na quarta-feira (19), pelo "NYT".

Um dos advogados de Trump, Jay Sekulow, disse ao "The Washington Post" que tanto o presidente como a sua equipe trabalharão para que a investigação não desvie seu foco, que é a ingerência russa.

"O presidente está preocupado pelos conflitos que existem dentro do escritório do procurador especial e por qualquer mudança no âmbito da investigação. A investigação deve permanecer dentro do seu mandato. Se desviar, vamos nos opor", disse Sekulow.

Entre os negócios que Muller estaria investigando está a venda, em 2008, de uma mansão em Palm Beach (Flórida) a um oligarca russo pelo valor de US$ 95 milhões, uma transação que, segundo Sekulow, "está muito longe do alcance de uma investigação legítima".

Sekulow falou com o "Post" depois que o porta-voz da equipe de advogados, Mark Corallo, renunciasse nesta quinta por razões que ainda desconhecidas.

Em paralelo a esses esforços e se preparando para que possa sair da investigação, Trump está se informando sobre os seus poderes para perdoar assessores, familiares e até a si mesmo, segundo o "Post", que relata que os advogados do presidente estudam a questão.

A Constituição dá ao presidente o poder de perdoar "por ofensas cometidas contra os Estados Unidos", mas, até o momento, nenhum governante se utilizou desse expediente em benefício próprio.
 

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