Água é o grande desafio para a vida e o retorno dos deslocados de Mossul

Jorge Fuentelsaz.

Acampamento de Hamam al-Alil (Iraque), 22 jul (EFE).- Quando recuava perante o avanço das forças iraquianas, o Estado Islâmico (EI) aplicou uma tática de terra arrasada em Mossul, inclusive com a sabotagem das estações de água, cujo reparo é agora fundamental para a vida dos mais de 320 mil deslocados dos acampamentos e o retorno a seus lares.

"Após a libertação de Mossul e dos povoados ao redor, um dos principais problemas que enfrentamos é a falta de água. Quase todas as estações foram destruídas e saqueadas", disse à Agência Efe, junto a uma instalação de tratamento de água de emergência, o responsável no Iraque da ONG Oxfam, Andrés González.

González contou que os centros ao longo do rio Tigre foram saqueados: "O EI levou os geradores, levou as bombas, todos os tubos, o cobre...".

No entanto, ressaltou que sua reabilitação é mais fácil do que a das estações de bombeamento e tratamento que existem dentro de Mossul porque "foram bombardeadas e o nível de destruição é muito alto" e, além disso, "estão cheias de minas terrestres e explosivos".

Por sua vez, a engenheira Laurence Hamai explicou à Efe que a Oxfam reparou 20 dessas estações de bombeio e potabilização, além de ter construído várias outras de emergência, como a que fizeram no caminho de sua viagem ao acampamento de deslocados de Hamam al-Alil, situado a cerca de 20 de quilômetros de Mossul.

A água bombeada do rio Tigre é transportada em caminhões-pipa até Mossul, aos acampamentos da região e a uma clínica da ONG Médicos Sem Fronteiras.

Tem uma capacidade de 800 metros cúbicos, o que significa, segundo Hamai, que pode abastecer de água diariamente 80 mil pessoas.

Mas González advertiu que "isso não é o suficiente": com temperaturas "de até 50 graus, o consumo de água aumentou consideravelmente. Há 320 mil pessoas nos campos que precisam de água, gente que quer retornar à cidade de Mossul. A água é uma das prioridades neste momento".

Quando se abre uma torneira no acampamento de deslocados de Hamam al-Alil, as crianças correm para molhar a cabeça, ou para encher seus bonés e aliviar o calor tórrido do meio-dia.

Neste enorme acampamento, a água, gerenciada pela Oxfam, é depositada em dois tipos de tanques, um para as tarefas domésticas e outro para consumo, aberto duas vezes ao dia, entre as 7h e o meio-dia, e entre as 16h e as 18h, relataram os trabalhadores do campo.

Um total de 22 mil pessoas se abastece de 291 tanques de água não apta para beber e de outros 70 de água potável, contou à Efe o engenheiro em saúde pública Ismail Kamil, que ressalta que são fornecidos 40 litros de água por pessoa.

Os deslocados, como Mohamed Yasem, de 45 anos e pai de oito filhos, não sentem mais falta de água, mas sim de comida e de um melhor atendimento no centro sanitário do complexo humanitário.

Operário e originário de Sinyar, Yasem está em Hamam al-Alil desde 12 de março e, ainda que seja grato pelas ajudas que recebe da ONG, diz que "são poucas".

"Enquanto as ajudas e os produtos alimentícios chegam uma vez por mês, somente, as pessoas têm que comprar as coisas do seu bolso, e inclusive o hospital não trabalha bem", detalhou.

Outros deslocados se aproximam dos trabalhadores da ONG para lhes dizer que não têm trabalho nem nada para fazer, e alguns não podem voltar a suas casas porque são árabes e seus povoados estão em zonas controladas pelas forças curdas "peshmerga", que não os deixa retornar.

Segundo a ONU, é necessário US$ 1,41 bilhão para cobrir as necessidades humanitárias e de estabilização no Iraque a curto e médio prazo.

Dessa quantia, US$ 560 milhões seriam para enfrentar a crise humanitária em todo o país e US$ 850 milhões para iniciativas de estabilização para apoiar o retorno dos três milhões de iraquianos aos seus lares tanto em Mossul e na planície de Ninawa, como nas províncias de Salah-ad-Din, Al-Anbar e Diyala.

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