Polêmico embaixador russo em Washington retorna a Moscou

Washington, 23 jul (EFE).- O embaixador da Rússia em Washington, Serguei Kislyak, figura central na investigação sobre a ingerência russa nas últimas eleições gerais dos Estados Unidos, retornou a Moscou após quase uma década como enviado diplomático, informou a embaixada russa em Washington.

Kislyak, que dirigia a legação diplomática em Washington desde 2008, "concluiu sua missão" na capital americana neste sábado, indicou a embaixada em sua conta oficial no Twitter.

"Até a chegada do seu sucessor, o senhor Denis V. Gonchar, ministro conselheiro e 'número dois' da embaixada, será o encarregado de negócios interinos", acrescentou a breve mensagem.

A embaixada não detalhou as razões da saída do polêmico embaixador, considerado uma figura-chave nas redes de espionagem russas, ainda que sua saída fosse cogitada desde o final de junho e tenha havido uma festa de despedida formal no dia 11 de julho, segundo o site do Conselho de Negócios Rússia-EUA.

Os contatos de Kislyak, de 66 anos, com membros da equipe de campanha e transição de Donald Trump estão sendo examinados com lupa pelo Congresso dos EUA e pelo procurador especial Robert Mueller, nomeado pelo Departamento de Justiça para investigar a possível confabulação da campanha do governante republicano com a Rússia.

A Rússia foi acusada pelas agências de inteligência americanas de tentar interferir no resultado eleitoral com ciberataques, ao mesmo tempo em que se tenta determinar se funcionários russos tentaram influenciar pessoas do círculo próximo a Trump.

Kislyak se reuniu de maneira discreta com o procurador-geral, Jeff Sessions; com o genro e assessor de Trump, Jared Kushner; com o ex-assessor de segurança nacional presidencial, Michael Flynn, e com o operador de campanha, Carter Page.

As conversas com Kislyak aceleraram a saída de Flynn, que ocultou do vice-presidente, Mike Pence, ter tratado com ele a suspensão de sanções à Rússia.

Além disso, obrigaram Sessions a afastar-se de tudo o que tivesse a ver com a ingerência russa nas eleições, pois não revelou perante o Congresso, quando foi questionado, seus contatos com Kislyak.

Como se fosse pouco, Kislyak também voltou a estar envolto em polêmica depois que no último dia 10 de maio intermediou a reunião no Salão Oval entre Trump e o ministro de Relações Exteriores russo, Serguei Lavrov, na qual o governante americanos revelou a ambos informação confidencial.

De acordo com a emissora "NBC", Kislyak será substituído pelo vice-ministro de Defesa russo, Anatoly Antonov, representante da linha mais dura do governo do presidente Vladimir Putin, e alvo de sanções na União Europeia por seu papel na crise da Ucrânia, mas Moscou não confirmou essa informação.

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