Após tragédia, motorista diz não saber que havia imigrantes em caminhão

Houston (EUA), 24 jul (EFE).- O motorista do caminhão onde estavam fechadas dezenas de imigrantes sem ventilação no sul do Texas, James Bradley, declarou aos investigadores nesta segunda-feira, após a tragédia ter deixado dez mortos, que não sabia que havia pessoas na parte traseira do veículo.

De 60 anos e natural de Clearwater, na Flórida, Bradley disse que abriu a carroceria do caminhão em um estacionamento da rede de lojas Wal-Mart em San Antonio, quando ouviu socos vindos do interior. O sistema de refrigeração não estava funcionando.

"Ele negou saber que havia pessoas no caminhão e disse que as descobriu quando escutou socos e sacudidas quando saiu do veículo para ir ao banheiro", disse o Escritório do Promotor do Distrito Ocidental do Texas, que explicou que o motorista também afirmou que tentou ajudar os imigrantes que estavam presos na carroceria.

O caminhoneiro pode ser processado por transporte ilegal de pessoas com resultado de morte, uma crime que pode ser punido com prisão perpétua ou até pena de morte, indicou a Promotoria.

Bradley tem um longo histórico criminal, segundo a imprensa local. Ele chegou a ser preso várias vezes pelos crimes de roubo agravado, ameaças com armas mortais, agressão, fuga, além de números multas de trânsito.

O número de imigrantes mortos após terem permanecido dentro do caminhão sem ventilação subiu hoje para dez com a morte de uma pessoa em um hospital de San Antonio. Outras pessoas seguem internadas em situação grave.

Segundo os investigadores, Bradley admitiu saber que o sistema de refrigeração da carroceria não estava funcionando e que os quatro orifícios de ventilação estavam possivelmente obstruídos.

A Promotoria afirma que a Polícia e ambulâncias atenderam uma chamada de emergência pouco depois das 0h de domingo, e encontraram o caminhão na parte de trás da loja do War-Mart com pessoas jogadas dentro da carroceira. Oito imigrantes já tinham morrido.

O comunicado da Promotoria não esclarece quem fez a primeira ligação para as autoridades, já que o motorista testemunhou que ligou para sua esposa, mas não para o telefone de emergências.

Não se sabe exatamente quantas pessoas estavam no caminhão. Segundo vários testemunhos, entre 70 e 180 estariam na carroceria para cruzar ilegalmente a fronteira entre EUA e México.

No estacionamento, as pessoas encontraram cerca de 40 pessoas, muitas delas afetadas pela falta de oxigênio e pelo calor. Do total, 29 foram hospitalizadas, 17 delas em estado crítico.

"Para maximizar seus lucros, esses contrabandistas amontoaram cem pessoas em uma carroceria no sufocante calor do verão do Texas, disse o diretor interino do Escritório de Imigração e Alfândegas (ICE), Thomas Homan, depois da tragédia.

"Essas redes mostram em repetidas ocasiões que não se importam com as pessoas que estão levando", completou.

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