Cidades de diversos países exigem mais envolvimento na agenda mundial da ONU

Montevidéu, 24 jul (EFE).- Autoridades de cidades do mundo todo se reúnem a partir desta segunda-feira em Montevidéu, no Uruguai, para ver como podem "se envolver de uma maneira mais global na agenda mundial" da ONU e ter mais "representação" nas organizações internacionais.

Representantes de Rio de Janeiro, Belo Horizonte e Porto Alegre, além de Assunção, Cidade do México, Madri, Montevidéu, Quito, Córdoba, Rosario, Santa Fé, Montreal e Medellín compartilharão experiências e preocupações durante dois dias na capital uruguaia.

Também farão parte do debate representantes de organismos como Fundo Mundial para o Desenvolvimento das Cidades (FMDV), Secretaria Geral Ibero-Americana (Segib), Cidades e Governos Locais Unidos (CGLU) do Cone Sul, Cidades Unidas da França (CUF), União de Cidades Capitais Ibero-Americanas e Mercociudades, entre outros.

"O objetivo é ver como as cidades podem se envolver de uma maneira mais global na agenda mundial", detalhou à Agência Efe o diretor de Relações Internacionais de Montreal, Henri-Paul Normandin.

O especialista canadense explicou que, geralmente, as metrópoles têm "um papel muito local", já que se encarregam de tratar temas como alojamento e água potável, mas que atualmente "há questões que são temas globais que também têm um impacto nas cidades". Normandin ilustrou sua teoria com a mudança climática, por se tratar de "um fenômeno global que também tem impacto nas cidades".

"Se a cidade sente um impacto com a mudança climática, não é possível fazer ações apenas a nível local, também é preciso se envolver nas negociações mundiais. E quando se desenvolvem planos de ação a respeito, é necessário ter um lugar na mesa de negociações", disse.

Este mesmo exemplo pode ser usado para temas como desenvolvimento social e imigração, as duas outras questões nas quais focava este encontro: "Um lugar na mesa global: os governos locais como atores protagonistas do sistema de governança mundial".

É por isso que o diretor de Relações Internacionais canadense defendeu que "as organizações internacionais, como a ONU, precisam modificar um pouco seu modelo de gestão para que as cidades estejam representadas nas discussões na cúpula das Nações Unidas".

"Não queremos uma ONU das cidades, ainda não chegamos a este ponto, mas tem que haver mecanismos que consultem e dialoguem com as cidades", apontou.

O especialista acredita nesta iniciativa para um futuro próximo, já que afirmou que "daqui a dois três anos as cidades terão uma espécie de status nas Nações Unidas que as permitará interagir em certas reuniões".

Normandin defende que as cidades tenham "acesso ao financiamento", pois "frequentemente o financiamento internacional para o desenvolvimento vai ao Estado nação, e não às cidades".

No entanto, admitiu que esta mudança talvez não seja tão fácil em todos os países, principalmente se o núcleo urbano e a nação são governados por diferentes partidos.

A representante de Redes e Organismos Internacionais da União de Cidades Capitais Ibero-Americanas (UCCI), Paloma Gámez, ressaltou a importância da participação cidadã nesta nova etapa das metrópoles.

"As agências e os governos nacionais estabelecem mapas de caminho para erradicar melhor a pobreza, para alcançar objetivos de desenvolvimento sustentável, mas os desafios estão nas cidades e todos passam pela participação dos cidadãos", afirmou a espanhola.

Este evento também é uma plataforma para que as diferentes populações discutam problemas em comum, compartilhem experiências e busquem inspiração em projetos vizinhos.

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