Genro de Trump nega qualquer conluio em contatos com a Rússia

Lucía Leal.

Washington, 24 jul (EFE).- O genro e assessor do presidente dos Estados Unidos, Jared Kushner, negou nesta segunda-feira, no Senado, qualquer negligência nos contatos realizados com os russos no ano passado, disse não ter nada a esconder e criticou os que sugerem que seu sogro, Donald Trump, venceu as eleições com a ajuda do Kremlin.

Kushner é a pessoa com maior influência sobre Trump dentre os que estão sendo investigados pelo FBI e o Congresso por seus contatos com a Rússia durante a campanha eleitoral e o período de transição. Hoje, ele compareceu em audiência no Comitê de Inteligência do Senado para tentar esclarecer os fatos.

"Não cometi atos de conluio com a Rússia, nem sei de ninguém mais na campanha que tivesse feito isso", disse Kushner à imprensa na Casa Branca, para resumir seu depoimento no Senado.

"Não tive contatos inadequados. Não dependi de recursos russos para financiar as minhas atividades empresariais, e fui totalmente transparente ao proporcionar as informações solicitadas pelo FBI e pelo Congresso", completou o assessor e genro de Trump.

Kushner defendeu que o sogro venceu as eleições porque tinha uma mensagem melhor e fez uma melhor campanha do que os democratas.

"Sugerir outra coisa é ridicularizar quem votou nele", afirmou.

No início da manhã, o genro distribuiu aos jornalistas uma declaração de 11 páginas que se dispôs a ler no Senado.

Nela, Kushner tenta minimizar seu envolvimento no encontro que manteve em junho de 2016 com uma advogada russa e outras seis pessoas, entre elas o filho mais velho de Trump, Donald Jr. No encontro, esperava-se obter informações prejudiciais a então candidata democrata Hillary Clinton, o que acabou não ocorrendo.

O genro de Trump afirmou hoje que não leu a sequência de e-mails encaminhada por Donald Jr. ao pedi-lo que o acompanhasse no encontro. Além disso, disse não saber com quem iam se reunir, por isso não sabia sobre a promessa de informação relativa a Hillary.

"Quando cheguei, a advogada russa estava falando sobre um veto às adoções de crianças russas nos EUA. Não fazia ideia porque ela estava falando sobre esse tema e decidi rapidamente que estava perdendo tempo nessa reunião", explicou Kushner.

Dez minutos depois, Kushner escreve uma mensagem para seu assistente e pediu para que ele o ligasse. Seria uma desculpa para pedir licença e deixar a reunião.

Na declaração, o genro de Trump se comprometeu a cooperar com as investigações sobre a Rússia porque não tem "nada a esconder" e descreveu seus contatos com pessoas ligadas ao Kremlin.

"Os documentos que lhes forneço mostrarão que tive, talvez, quatro contatos com representantes russos dentro dos milhares que fiz durante a campanha e a transição. Eles não tiveram nenhum impacto nas eleições e nenhum foi particularmente memorável", disse.

Kushner citou em primeiro lugar um encontro em abril de 2016 com o embaixador russo em Washington, Sergei Kislyak, no hotel Mayflower, onde Trump fez um discurso sobre política externa.

No local, Kushner conheceu Kislyak e outros três embaixadores. Segundo o genro de Trump, eles conversaram com ele por "menos de um minuto" e "expressaram interesse em criar uma relação positiva" caso o republicano saísse vitorioso das eleições presidenciais.

O genro de Trump afirmou que sua relação com Kislyak era tão distante que nem sequer lembrava o nome do embaixador no dia seguinte ao triunfo de Trump, quando a campanha recebeu uma nota de felicitação atribuída ao presidente da Rússia, Vladimir Putin. Por isso, Kushner quis entrar em contato com o diplomata para verificar a autenticidade da nota.

Em 1º de dezembro, Kushner recebeu Kislyak na Trump Tower de Nova York e expressou o desejo de ter uma "nova etapa nas relações com a Rússia". Além disso, perguntou ao embaixador sobre quem poderia ser uma pessoa de contato entre a equipe de transição e o Kremlin.

"Não sugeri criar um 'canal secreto de comunicação' com a Rússia", afirmou Kushner, rebatendo uma matéria que foi publicada pelo jornal "The Washington Post" em maio.

Segundo Kushner, foi Kislyak quem disse que os "generais russos" queriam dar informações sobre a Síria à campanha de Trump, mas ambos concordaram que só falariam sobre isso quando o presidente eleito tomasse posse.

Kislyak pediu a Kushner que se reunisse com Sergei Gorkov, descrito por ele com alguém com uma "linha direta" com Putin, diretor do Vnesheconombank, um banco russo sancionado pelos EUA.

O genro de Trump se reuniu com Gorkov em 13 de dezembro do mesmo mês. Os conversaram sobre as relações entre os dois países, mas não sobre sanções ou os negócios particulares de Kushner.

O quarto e último "possível contato" com a Rússia reconhecido por Kushner foi um e-mail que o genro de Trump recebeu em outubro de 2016. Um usuário chamado "Guccifer400" ameaçava revelar as declarações de renda de Trump se não recebesse 52 bitcoins.

Após questionar o Serviço Secreto sobre a ameaça, Kushner decidiu ignorar essa tentativa de extorsão.

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