Operadora apresenta vídeos de combustível fundido no reator de Fukushima

Tóquio, 24 jul (EFE).- A Tokyo Electric Power Company (Tepco), responsável pela central atômica de Fukushima, no Japão, divulgou nesta segunda-feira os vídeos gravados por um robô submarino dentro do reator 3 da usina, que mostram restos aparentes de combustível radioativo fundido sob o núcleo da unidade.

A investigação revelou a existência de resíduos em tom alaranjado fundidos às estruturas metálicas do fundo do edifício de contenção do reator, na segunda capa protetora que fica em torno do tanque onde é armazenado o combustível atômico, que sofreu uma fusão parcial durante a catástrofe nuclear de 2011.

"Tratam-se de aparentes restos de materiais fundidos e posteriormente solidificados sob o tanque de contenção, e foram provavelmente gerados pelo efeito de combustível fundido", explicou à Agência Efe um porta-voz da Tepco.

Nas imagens, divulgadas hoje pela operadora, é possível ver os danos causados pelo acidente dentro do reator 3, que está inundado com água marinha injetada para refrigerar o material nuclear durante a crise.

Anteriormente, a Tepco divulgou imagens captadas pelo robô durante as explorações conduzidas nos dias 21, 22 e 23, mas não tinha apresentado até agora os vídeos que mostram os supostos resíduos nucleares dentro da unidade.

A proprietária da central examinará agora todos os dados captados pelo robô para averiguar o tamanho exato dos depósitos de resíduos, com vistas a determinar como retirá-los e quais serão os procedimentos para o desmantelamento do local.

O estado interno do edifício de contenção do reator "é um fator muito importante" em relação com o planejamento da complexa tarefa de desmantelamento e, para isso, a Tepco vai desenvolver uma estratégia junta ao Executivo japonês durante os próximos meses, segundo o porta-voz.

Os reatores 1, 2 e 3 sofreram fusões parciais de seus núcleos por causa do desastre desencadeado pelo terremoto, que também gerou um tsunami, em 11 de março de 2011.

A unidade número 3 é a que apresenta maiores dificuldades para ser avaliada, já que os níveis extremos de radioatividade - que impedem a aproximação de operários humanos - se soma ao maior volume de água dos reatores, cerca de 6,4 metros de profundidade.

Acredita-se que a maior parte das barras de dióxido de urânio e MOX (uma mistura de urânio e óxido de plutônio) do reator se fundiram em consequência do acidente e foram parar no fundo do edifício de contenção.

Anteriormente, a Tepco utilizou outros modelos robóticos para investigar o interior dos reatores 1 e 2, onde os níveis de água são menores que na unidade 3, mas, em nenhum dos dois casos, conseguiu avaliar o estado exato do combustível fundido por diversos problemas técnicos.

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