Líderes da Líbia estabelecem em Paris um acordo de cessar-fogo

Paris, 25 jul (EFE).- O chefe do governo de unidade nacional da Líbia, que conta com apoio da ONU, Fayez al Serraj, e o marechal Khalifa Hafter, que controla o leste do território líbio, chegaram nesta terça-feira a um acordo de cessar-fogo no país, que está em guerra há seis anos, em uma reunião nos arredores de Paris.

O encontro, mediado pelo presidente francês Emmanuel Macron e supervisionado pelo novo representante especial do secretário-geral da ONU para a Líbia, Ghassan Salamé, foi concluído com uma declaração conjunta de dez pontos na qual ambos chegaram a um acordo para a convocação de eleições "o mais rápido possível".

Realizado na localidade de Celle Saint Cloud, nos arredores de Paris, a reunião representa um passo para a estabilização da Líbia, um Estado falido vítima do caos e da guerra civil desde que rebeldes apoiados em 2011 pela Otan conseguiram derrubar a ditadura de Muammar Kadafi, que estava no poder desde 1969.

Serraj, que conta com o reconhecimento internacional, e Hafter, que domina cerca de 60% do território e importantes recursos petrolíferos, se comprometeram a estabelecer um roteiro para restabelecer a ordem na Líbia.

A solução da crise no país "só pode ser política", coincidiram os dois líderes em um texto que reconhece a validade do Acordo de Sjirat (Marrocos), no qual a aposta foi pela formação, sem consenso, do governo de unidade nacional.

Após a reunião, Serraj e Hafter compareceram em uma coletiva de imprensa ao lado de Macron, ainda que este foi o único que tomou a palavra para anunciar que o "processo eleitoral acontecerá" no primeiro semestre do ano que vem.

Serraj anunciou há duas semanas a intenção de seu Executivo de convocar eleições antecipadas em março de 2018, uma intenção que se deparou com a oposição do chefe do parlamento de Tobruk (leste), a região controlada por Hafter.

"O que está em jogo neste processo é imenso, para o povo líbio e para toda a região, e é essencial para toda a Europa, porque tem consequências diretas para nossos países sobre os fluxos migratórios", disse Macron, que também agradeceu a "coragem" de Hafter e Serraj.

Os dois líderes, que disputam o controle do país com o apoio de várias milícias, se reuniram pela primeira vez em 2 de maio em Abu Dhabi, nos Emirados Árabes Unidos, em um encontro que finalizou sem um acordo entre ambas as partes.

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