Mossul trabalha contra o relógio para reconstruir infraestruturas danificadas

Azza Guergues.

Mossul (Iraque), 27 jul (EFE).- A Câmara Municipal de Mossul trabalha contra o relógio para reconstruir as infraestruturas da cidade iraquiana, após quase nove meses de combates, para que os deslocados possam voltar o mais rápido possível, e calcula que o custo da sua reabilitação poderia superar US$ 20 bilhões.

A parte oriental da cidade, libertada em janeiro do grupo terrorista Estado Islâmico (EI), quase já recuperou a normalidade e a maioria dos deslocados voltou às suas casas.

Já a parte ocidental, onde a luta entre as forças de segurança e os jihadistas, que terminou no último dia 10 julho, foi muito mais encarniçada, sofreu grandes danos e, por enquanto, só retornaram a essa região cerca de três mil pessoas.

"Estamos sendo rápidos em fazer o plano (elaborado pelo governo) e conseguimos, graças a Deus, devolver a vida ao leste de Mossul após iniciar projetos de infraestrutura, que incluem água, eletricidade e águas residuais, que agora funcionam a 80% da capacidade", declarou à Agência Efe o responsável da Câmara Municipal de Mossul, Abdelsatar al Habu.

No entanto, quanto ao oeste de Mossul, disse que "não está apto para o uso humano", devido ao fato de que o "último objetivo (do EI) era destruir a infraestrutura", razão pela qual causou danos em entre 60% e 70% da mesma, enquanto que no leste foi de entre 20% e 30%.

Por isso, segundo comentou, ainda resta muito a fazer para proporcionar os serviços básicos: enviar água potável a todas as casas, estabelecer redes de eletricidade e instalar redes de esgoto.

Em seu escritório, no leste de Mossul, Al Habu, que a cada dia realiza uma visita com os seus funcionários à parte ocidental para avaliar os danos, calcula que a cidade necessitaria de, pelo menos, US$ 20 bilhões para a reconstrução dos seus serviços.

"Necessitamos deste dinheiro para reconstruir os edifícios que ficaram em ruínas, recompensar os que perderam (suas propriedades) e construir moradias para os habitantes", detalhou.

A destruição e o vazio do oeste de Mossul, dividida pelo rio Tigre, contrasta com a visível atividade que se vê no leste, onde seus moradores começaram a abrir suas lojas e os veículos enchem as vias da cidade, segundo pôde constatar a Agência Efe.

Os mercados, que reabriram na maioria dos bairros, quase recuperaram o movimento de outrora, ainda que siga sendo perceptível a destruição em alguns locais, como é o caso da Universidade de Mossul.

A respeito do oeste da cidade, Al Habu declarou que está trabalhando na conexão do tecido elétrico entre leste e oeste, um trabalho que deve terminar nos próximos dez dias, e que é fundamental para começar os planos de retorno "dos deslocados e da estabilidade".

No bairro de Al Sukar, no leste de Mossul, Hasan, de 42 anos, vive em sua casa com os seus três filhos e a sua mulher com todos os serviços básicos, e conta que, em algumas ocasiões, sofrem cortes de eletricidade.

Todas as casas da sua rua já estão habitadas, exceto uma que foi bombardeada pela coalizão internacional, comandada pelos Estados Unidos, porque nela viviam jihadistas do EI.

O responsável da câmara municipal disse ainda que já detiveram "dezenas de pessoas" vinculadas ao grupo extremista, que foram apresentadas perante a Justiça iraquiana.

No centro antigo de Mossul, os jihadistas ainda seguem escondidos em cavernas e túneis, motivo pelo qual os combates não cessaram desde o anúncio da libertação da cidade, no último dia 10 de julho.

Al Habu destacou que agora o desafio é "essa zona antiga onde há mais de 14 mil edifícios arruinados, uma devastação que chegou a 100%".

Segundo a ONU, dos 54 bairros do oeste de Mossul, 15 estão completamente destruídos, enquanto 23 se viram afetados de maneira moderada.

Entre os planos da Al Habu está construir complexos de moradias ao oeste de Mossul, para que os deslocados do arrasado centro histórico possam voltar, enquanto se volta a pôr em marcha o coração parado da segunda maior cidade do Iraque.

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