Polícia vê indícios de "homicídio corporativo" em incêndio em Londres

Londres, 27 jul (EFE).- Os agentes que investigam o incêndio em uma torre de apartamentos residenciais de Londres, incidente que matou ao menos 80 pessoas em junho, encontraram "indícios razoáveis" para poder apresentar acusações por "homicídio corporativo" no caso, informou nesta quinta-feira um representante da Scotland Yard.

O porta-voz da Polícia Metropolitana de Londres (Met) indicou que as câmaras municipais de Kensington e Chelsea, bairro onde estava o imóvel destruído pelo fogo, e a organização que gerenciava as moradias sociais na Greenfell Tower foram informadas que existe base jurídica para acusá-las pelo incidente.

A possível acusação foi revelada pela imprensa através do conteúdo de uma carta enviada pela Met aos sobreviventes da Grenfell Tower, afetada pelo incêndio no último dia 14 de junho.

De acordo com a imprensa local, nessa carta, cita-se que os agentes da Met solicitaram uma "enorme quantidade de material e colheram um grande número de testemunhos" sobre o incidente.

"Após uma valoração inicial dessa informação, o encarregado da investigação notificou hoje às câmaras municipais de Kensington e Chelsea, além da Organização de Gestão de Arrendamentos de Chelsea, que cada uma delas poderia ter cometido o crime de homicídio corporativo, com base em legislação de 2007", diz o documento.

O incêndio, de enorme dimensões, ocorreu por causa de uma geladeira defeituosa. O fogo se espalhou rapidamente, o que dificultou a evacuação do edifício e fez com que muitas pessoas ficassem presas dentro de seus apartamentos.

Os especialistas afirmaram que as chamas se espalharam com facilidade porque o revestimento do prédio tinha material inflamável, o que obrigou as autoridades a revisar a situação de outros edifícios como a Grenfell Tower são destinados a um programa de habitação do governo.

"Se trata de uma investigação complexa e de longo alcance que, por sua própria natureza, levará um tempo considerável para ser completada", afirmou a Met.

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