Presidente do Panamá rebate ex-advogado da Odebrecht e nega propinas

Cidade do Panamá, 27 jul (EFE).- O presidente do Panamá, Juan Carlos Varela, classificou nesta quinta-feira como "totalmente falsas" as declarações dadas ao jornal "El País" pelo ex-advogado da Odebrecht Rodrigo Tacla Durán, que afirmou que Varela recebeu propinas da construtora e interveio para obstruir investigações.

Tacla afirmou que a Odebrecht repassou R$ 3,7 milhões a dois fornecedores de uma empresa de rum de propriedade do presidente panamenho. Além disso, a construtora também teria pagado despesas de campanha de Varela nas eleições de 2014.

"Na minha campanha presidencial, as doações já foram públicas e a informação dada sobre a empresa Varela Hermanos é totalmente falsa", disse o presidente a jornalistas.

Varela também disse que a denúncia do ex-advogado da Odebrecht, que está na Espanha e tem um pedido de extradição feito pela Justiça brasileira, é uma "coisa plantada" por advogados de Miami. O presidente panamenho não esclareceu suas afirmações.

Tacla disse ao "El País" que esteve em uma reunião na qual o responsável da Odebrecht no Panamá, André Rabello, afirmou que tinha a confirmação de Varela de que a Justiça panamenha não colaboraria com os pedidos judiciais do Brasil sobre o caso.

"Todos os temas relacionados à cooperação judicial estão com o Ministério Público. É o Ministério Público quem conduz a investigação. Eu não posso opinar em temas de uma investigação. Temos que confiar nas autoridades do país, punir os responsáveis, recuperar o patrimônio e descobrir a verdade", afirmou Varela.

Tacla será julgado pela Assembleia Nacional da Espanha, que rejeitou o pedido de extradição do advogado para o Brasil. O advogado é acusado na Lava Jato de ter lavado mais de R$ 50 milhões para a Odebrecht. Ao "El País", Tacla negou as acusações.

Na entrevista ao jornal espanhol, o advogado disse que a Odebrecht enviou dinheiro a uma pessoa próxima ao presidente, identificada por ele como Michelle Lasso, através de uma conta em Antígua e Barbuda enquanto Varela era vice-presidente do Panamá.

"Não posso responder por terceiras pessoas", disse o presidente sobre a acusação.

Varela também considerou como uma lástima que a empresa de rum de sua família seja afetada por sua carreira política e pediu desculpas aos 1.500 trabalhadores da companhia e aos acionistas pelos "ataques injustos e falsos".

A Odebrecht é o epicentro de um escândalo internacional de propinas que envolve presidentes, ex-presidentes e funcionários do alto escalão de vários países da América Latina.

A construtora admitiu ao Departamento de Justiça dos Estados Unidos ter pagado US$ 788 milhões em propinas em 12 países. Desse total, US$ 59 milhões foram distribuídos no Panamá entre 2009 e 2014, quando Varela era vice-presidente.

De acordo com Tacla, o valor total das propinas supera os US$ 2,5 bilhões.

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