Medellín quer apagar passado marcado pela violência com investimento social

Claudia Polanco Yermanos.

Medellín (Colômbia), 28 jul (EFE).- A violência gerada pelo narcotráfico na Colômbia pode ter manchado o passado da cidade de Medellín, epicentro da luta dos cartéis, mas hoje é uma prova viva de que, com investimento social, é possível combater o crime com sucesso.

Não é segredo para ninguém que a página mais escura da história da cidade, com 2,1 milhões de habitantes e a segunda maior do país, foi escrita por Pablo Escobar, líder do Cartel de Medellín.

Na sua época dourada, entre as décadas de 1970 e 1980, essa estrutura criminosa chegou a movimentar 80% da cocaína que era consumida nos Estados Unidos e a faturar US$ 100 bilhões ao ano.

Como parte de sua consolidação, Escobar criou uma economia do crime na parte oeste de Medellín, onde o narcotraficante nasceu. De lá, ele expandiu sua capacidade militar para novas áreas onde a pobreza era fator constante.

Escobar aproveitou da necessidade dos jovens humildes da cidade, que não tinham futuro, e os transformou em seus sicários. Ao longo de 15 anos, o derramamento de sangue iniciado pelo narcotraficante e seus aliados de Escobar em Medellín matou 60 mil pessoas.

"A partir desse momento, os habitantes de Medellín entenderam que ou promovíamos uma mudança ou morríamos todos", disse em entrevista à Agência Efe o prefeito da cidade, Federico Gutiérrez.

Criou-se então um consenso nas altas esferas políticas sobre a urgência de realizar grandes obras de infraestrutura às periferias para fazer com que os habitantes participassem do processo de transformação necessário para mudar a região.

Desse modo, Medellín passou de uma cidade onde as pessoas tinham medo de viver há 20 anos para ser a única com o país com metrô. Depois vieram o teleférico, as escadas elétricas e o bonde. Isso fez com que Medellín fosse eleita em 2013 como a cidade mais inovadora do mundo, ganhando de Nova York e Tel Aviv.

No entanto, o crime parece não querer ceder espaço e os célebres narcotraficantes do Cartel de Medellín foram substituídos por novos grupos armados ilegais, que hoje disputam o controle territorial de alguns bairros, principalmente para vender drogas, mas em menor escala do que seus antecessores.

"Medellín é uma cidade onde temos claro que cada vez é mais importante derrotar a criminalidade e o mesmo deve ocorrer em todas as cidades da América Latina. Garantir a segurança da nossa gente é fundamental. Por isso, estamos decididos a não baixar a guarda", disse o prefeito à Efe.

Mas, além do combate aos que desestabilizam a ordem pública, os sucessivos governos fizeram do investimento social suas verdadeiras armas. Assim, Medellín deixou de ser a cidade mais violenta do mundo, como foi chamada em 1991, para ser considerada atualmente um exemplo internacional em matéria de inovação e desenvolvimento.

"A chave foi dar oportunidades às pessoas para que elas descobrissem que havia algo mais próspero que ser criminoso e ganhar dinheiro facilmente", afirmou o prefeito.

O desafio, que parece permanente, é que os jovens que entram no sistema de educação consigam uma bolsa de estudos para a universidade. Como ficou provado, segundo Gutiérrez, aqueles que saem da escola para buscar emprego acabam recrutados pelo crime.

"É um combate que não termina entre as oportunidades e a ilegalidade. Por isso, a meta de 2018 é investir dois pontos percentuais do PIB em atividades de inovação, ciência e tecnologia", indicou o prefeito.

A ofensiva contra o crime também ocorre em outras frentes, como na destinação de recursos para saúde, educação, cultura e esporte. EFE

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