Palestinos voltam a frequentar Esplanada das Mesquitas sem restrições

Laura Fernández Palomo

Em Jerusalém

  • Mamoun Wazwa/Xinhua

    29.jul.2017 - Segurança palestino distribui doces para comemorar fim de restrições à entrada na Esplanada de Mesquitas, em Israel

    29.jul.2017 - Segurança palestino distribui doces para comemorar fim de restrições à entrada na Esplanada de Mesquitas, em Israel

Os palestinos voltaram a rezar sem restrições na Esplanada das Mesquitas neste sábado (29), em uma Jerusalém que acordou em calma após duas semanas de violência pela oposição dos muçulmanos às medidas de segurança extraordinárias impostas por Israel após um ataque na região.

Ontem à noite, Israel suspendeu a limitação de acesso ao local aos homens menores de 50 anos que tinha sido decretada para as orações do dia. Os fiéis que voltaram neste sábado ao interior da Esplanada da Mesquita transformaram o caminho até o local em uma manifestação pacífica pelas ruas da Cidade Velha.

Nas últimas duas semanas, as orações foram feitas fora do complexo sagrado. Os muçulmanos se negavam a passar pelos detectores de metais instalados pelos israelenses, parte do novo esquema de segurança após o ataque, e que foi retirado ao longo da semana.

As autoridades islâmicas confirmaram hoje a abertura de todos os acessos e o fim das restrições aos muçulmanos.

O ataque ocorrido perto da Esplanada das Mesquitas no último dia 14, quando três árabes-israelenses mataram dois policiais drusos e depois foram mortos, gerou o reforço da segurança e a nova onda de tensão na região.

A polícia de Israel confirmou que as limitações de idade foram aplicadas por causa das rezas de sexta-feira, principal dia de orações para os muçulmanos. Apesar da previsão de protestos ontem, tudo ocorreu sem grandes problemas na Cidade Santa.

Conflitos entre soldados e palestinos

No entanto, mais de 220 pessoas ficaram feridas em confrontos entre palestinos e soldados israelenses nos territórios ocupados da Cisjordânia e da Faixa de Gaza. Um jovem de 16 anos morreu nos enfrentamentos, elevando para seis o número de vítimas fatais desde o ataque do último dia 14.

Durante os 16 dias de escalada de tensão também foram mortos três membros de uma família de colonizadores israelenses. Eles foram atacados dentro de casa por um palestino, de 20 anos. O ataque teria sido motivado pela "defesa de Al Aqsa", uma das principais mesquitas do mundo muçulmano e que fica dentro da Esplanada.

O presidente da Autoridade Nacional Palestina (ANP), Mahmoud Abbas, ainda não se manifestou se retomará os contatos com Israel, que suspensos na última sexta-feira depois de um dos dias de maior tensão desde o início da crise.

O secretário-geral da Organização para a Liberdade da Palestina, Saeb Erekat, denunciou hoje a realização de operações policiais nos escritórios de veículos de comunicação em Ramala. Para Erekat, a ação tem relação com a cobertura que eles fizeram das tensões.

O Ministério de Informação da Palestina também denunciou a "incursão militar" nas instalações usadas por vários meios de comunicação, como a "Russia Today". Segundo o órgão, Israel quer "bloquear as imagens que expõe suas ações ao mundo".

"Como parte dos atuais esforços contra a incitação da violência na Cisjordânia, o Exército israelense confiscou documentos e equipamentos de veículos utilizados para esse fim", disse um porta-voz militar de Israel à Agência Efe.

A Esplanada dos Ministérios, sagrada para muçulmanos e judeus, é um dos pontos mais tensos do conflito na região. Os palestinos percebem qualquer movimento em torno do local como uma extensão intolerável do controle de Israel.

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