Câmeras de segurança da Tailândia passam por processo de revisão

Noel Caballero.

Bangcoc, 30 jul (EFE). - As 300 mil câmeras de segurança instaladas em lugares públicos e estradas da Tailândia passarão por revisão por ordem do primeiro-ministro, o general Prayut Chan-ocha, após vários fiascos e suspeitas de corrupção.

A medida, promovida por ele para melhorar a eficiência da vigilância, pretende provar que todos estes dispositivos do país estão ativos na hora de combater o crime.

"Agências privadas e estatais devem participar. Equipamentos com defeito não deveriam ser desculpa", afirmou Prayut, ao informou a decisão aos organismos e oferecer um fundo de assistência às entidades não governamentais.

Para financiar os trabalhos, o chefe de Governo pediu ao Ministério da Fazenda que considere novas medidas impositivas e incentivos em prol do interesse público. A determinação foi dada alguns meses depois do registro de alguns episódios nos quais as câmeras não funcionaram adequadamente.

Entre as noites de 1 e 14 de abril, cerca de 20 dispositivos de segurança colocado ao redor da esplanada do Palácio Dusit - onde o rei Maha Vajiralongkorn sancionou no dia 6 daquele mês a nova Constituição patrocinada pelos militares - estavam fora de serviço.

O problema foi descoberto depois que um grupo de ativistas denunciou o desaparecimento de uma placa que ficava a 150 metros do prédio histórico e simbolizava a queda de absolutismo no país. O brasão roubado justamente nesse período foi substituído misteriosamente por outro escudo que enaltece a monarquia. O crime ainda não foi resolvido pelas autoridades.

Em 17 de agosto do 2015, um atentado a bomba atingiu um santuário hindu da metrópole, causando 20 mortes e deixando 125 feridos. Durante as investigações, as autoridades perceberam que dezenas de câmeras colocadas nas avenidas próximas ao templo não estavam funcionando, algumas estava paradas há anos.

Apesar de o autor ter sido preso algumas semanas depois do ato, o erro fez com que os investigadores perdessem sua rota de fuga, fazendo com que o processo demorasse mais do que devia.

"Trabalhamos no plano antiterrorista. Precisa existir um comitê diretor que garanta que o plano esteja alinhado com a comunidade internacional e satisfaça as necessidades de segurança dos locais", afirmou recentemente Prayut, ao término de uma reunião do Conselho Nacional de Segurança.

O primeiro-ministro destacou a importância dos trabalhos de manutenção e de cooperação entre as autoridades quando for necessário acessar gravações. Em um futuro não determinado, o chefe de Governo também citou uma segunda etapa de medidas destinadas à aquisição de novos aparelhos com qualidade superior e imagens mais definidas.

No passado, a imprensa levantou suspeitas de corrupção na compra dos equipamentos.

Apirak Kosayodhin, governador de Bangcoc entre 2004 e 2008 pelo Partido Democrata, admitiu em 2011 que muitas câmeras de segurança instaladas na cidade durante a sua gestão eram falsas. Ele tentou se defender argumentando que os 615 aparelhos falsos colocados, cujo custo, segundo fontes administrativas, foi de 1,7 milhão de baht (R$ 160 mil), intimidariam aqueles que tentassem burlar as leis.

Apirak, que renunciou depois de ser acusado de corrupção na concessão de obras públicas, negou que a sua administração incorresse em más práticas ao adquirir as câmeras falsas.

Outros episódios de câmeras pifadas ou carcaças vazias foram denunciados em várias regiões do país, como em três províncias do sul da Tailândia onde um grupo muçulmano insurgente atua e na ilha de Ko Tao, no Golfo da Tailândia.

Segundo dados de agências de segurança, a Tailândia teria uma câmera para 220 habitantes, enquanto que o Reino Unido contaria com um dispositivo para cada 14 pessoas.

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