Colômbia diz que fatos na Venezuela saíram "do âmbito democrático"

Bogotá, 31 jul (EFE).- A ministra das Relações Exteriores da Colômbia, María Ángela Holguín, criticou nesta segunda-feira as eleições da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) realizadas no domingo na Venezuela, e advertiu que o que ocorreu no país "saiu do âmbito democrático".

"O que ocorreu ontem (...) definitivamente saiu do âmbito democrático", disse Holguín a jornalistas no Palácio de San Carlos, sede da Chancelaria em Bogotá.

A ministra se referiu também à decisão do presidente colombiano, Juan Manuel Santos, de não reconhecer da votação de domingo, e apontou que "nada do que surgir de mudanças constitucionais dessa Assembleia Constituinte será aceito nem reconhecido pelo governo da Colômbia".

"Esse resultado tem que ir a um referendo para que o povo vote se está de acordo ou não com essas emendas. Ainda temos a esperança de que a Constituição Bolivariana de 1999 poça continuar", indicou a chefe da diplomacia colombiana sobre o resultado da Constituinte que pretende redigir uma nova Carta Magna.

Além disso, Holguín reconheceu que a Colômbia tem pouca margem para aplicar sanções ao país vizinho, e indicou que já retirou seu embaixador na Venezuela, que "por enquanto não voltará".

"As sanções ocorrem quando há assuntos econômicos e financeiros, coisa que infelizmente perdemos com a Venezuela há muito tempo. Não há comércio formal, as cifras são realmente muito baixas", complementou Holguín.

Os Estados Unidos anunciaram há duas semanas sanções a 13 funcionários e ex-funcionários venezuelanos e o presidente americano, Donald Trump, advertiu que tomaria mais medidas se Nicolás Maduro seguir com seus planos de realizar a ANC, considerada uma ferramenta do governo venezuelano para se perpetuar no poder.

Por outro lado, Holguín afirmou que a Colômbia está disposta a colaborar para que os venezuelanos possam votar em "eleições claras, com datas claras" nas quais a Assembleia Nacional possa retomar suas funções.

Neste domingo, os cidadãos venezuelanos foram convocados a escolher entre milhares de candidatos os mais de 500 representantes que redigirão uma nova Constituição no país, imerso há quase quatro meses em uma onda de protestos que deixou pelo menos 119 mortos, centenas de feridos e cerca de cinco mil detidos.

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