Governo da Venezuela comemora Constituinte e se prepara para sua instalação

Caracas, 31 jul (EFE).- O governo da Venezuela comemorou nesta segunda-feira a vitória obtida nas urnas durante a eleição dos responsáveis por redigir uma nova Constituição no país através de uma Assembleia Nacional Constituinte (ANC), enquanto se prepara para sua instauração sem que tenha confirmado até agora os passos que dará para fazê-lo.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral (CNE), a votação para escolher os membros desta ANC teve a participação de pouco mais de oito milhões de venezuelanos, o que, segundo o governo, significa que houve uma "recuperação histórica" de seus eleitores.

O vice-presidente da Venezuela, Tareck El Aissami, expressou, por sua vez, que "a memorável jornada de eleição da Assembleia Nacional Constituinte é a reafirmação da vontade firme e absoluta de paz do povo".

Líderes do chavismo anteciparam durante a campanha que a ANC será instalada no Palácio Federal Legislativo, sede do Parlamento venezuelano - de maioria opositora. No entanto, esta segunda-feira transcorreu sem que os impulsores do processo detalhassem os próximos passos a dar.

O ex-deputado governista e atual constituinte Diosdado Cabello afirmou durante sua campanha que a ANC também apresentará a possibilidade de desabilitar deputados opositores que convocaram manifestações nas ruas contra o governo.

Cabello disse, além disso, que será revisado o desempenho da procuradora-geral, Luisa Ortega, que criticou a Constituinte desde a sua convocação, não reconhece os resultados da eleição ao considerar que respalda uma "ambição ditatorial".

A oposição também não reconheceu os resultados das eleições de ontem e anunciou novos protestos, desta vez contra a Assembleia eleita, segundo eles, de maneira fraudulenta.

O chefe do Parlamento, o opositor Julio Borges, celebrou hoje o que considera a "derrota" do governo e indicou que esta deve dar "mais força" e "mais determinação" aos venezuelanos para continuar adiante na "luta".

Borges fez estas declarações a jornalistas no Parlamento, onde deputados opositores chegaram desde muito cedo para resguardar o recinto frente a possibilidade de ser tomado pelos governistas.

Após a chegada dos parlamentares, um grupo de "coletivos" (grupos de civis às vezes armados que defendem a "revolução") afeitos ao governo cercou o palácio e impediu a entrada de fotógrafos e de outros jornalistas.

O deputado Henry Ramos Allup disse que espera que "a falta de sanidade" não chegue ao extremo de querer "dissolver um poder eleito legitimamente" como é a Assembleia Nacional (AN, Parlamento).

Já Maduro, minutos após o anúncio dos resultados das eleições, afirmou que a Câmara devia ser revisada e a imunidade de alguns parlamentares ser suspensa.

"Se tomarem de assalto, pelas armas como costumam fazer, o palácio federal, nós temos que fazer sessões em outro lugar, temos que estar preparados para tudo", apontou Allup.

A ANC foi eleita em meio à crise social, política e econômica que vive o país caribenho, e apesar da rejeição da oposição, de parte do chavismo e da Igreja Católica, bem como de vários países da região e do resto do mundo.

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