EUA dizem que talibãs seguem comandando 40% do território do Afeganistão

Washington, 1 ago (EFE).- A guerra do Afeganistão continua "estancada" com o insurgentes talibãs controlando 40% do país, um aumento do cultivo do ópio e o registro de milhares de mortos nas forças governamentais.

Em relatório divulgado nesta terça-feira, o Inspetor Especial para o Afeganistão dos EUA (Sigar) afirmou que as tropas afegãs controlam 59,7% das províncias do país, especialmente os de maior população. Os rebeldes têm o domínio dos outros 40%.

"A situação segue estancada. O número de províncias sob controle talibã não registrou mudança desde a última análise no início do ano", explicou o relatório, que foi apresentado ao Congresso.

Cerca de 3 milhões de pessoas vivem nas regiões controladas pelos talibãs, o equivalente a 10% do total de habitantes do país, afirmou o Sigar. Nas áreas sob domínio do governo há 21 milhões de afegãos.

Apesar do esforço das autoridades de Cabul, as baixas entre as forças afegãs seguem sendo numerosas e os confrontos constantes.

Entre janeiro e maio, 2.531 militares afegãos morreram e outros 4.238 ficaram feridos, números similares aos do ano passado.

Em relação à produção de ópio, uma das principais fontes de investimento dos talibãs, a superfície cultivada cresceu 10%.

"Apesar do investimento de US$ 8,5 bilhões dos EUA para resistir à economia de narcóticos ilícitos, o Afeganistão continua como maior produtor e exportador mundial, sendo a origem de 80% da heroína do mundo", afirmou o relatório.

O Sigar calculou que o valor do ópio e seus derivados produzidos no Afeganistão, como a própria heroína, subiu de US$ 1,5 bilhão em 2015 para US$ 3 bilhões no ano seguinte.

O panorama mostrado pelo relatório foi divulgado em meio a falta de definição de uma estratégia para o Afeganistão pelo presidente dos EUA, Donald Trump.

Desde o fim da missão de combate da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) em janeiro de 2015, a aliança continua no Afeganistão com cerca de 13 mil homens em tarefas de assessoria e capacitação. Os EUA mantêm 8,4 mil militares como parte dessa operação de assistência e em ações antiterrorismo.

Trump visitou no último dia 20 de julho a sede do Pentágono para revisar as opções sobre o Afeganistão com os generais, mas não deu detalhes sobre o que foi discutido no encontro.

Segundo a imprensa americana, o governo avalia enviar mais 4 mil militares para tentar renovar a luta contra os talibãs no país.

Na guerra, que já dura mais de 16 anos, morreram 2.255 americanos. Os EUA já gastaram mais de US$ 700 bilhões em trabalhos de reconstrução do Afeganistão e no esforço militar contra os rebeldes.

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