Procuradoria dominicana diz que colaboração da Odebrecht ajudou investigação

Santo Domingo, 1 ago (EFE).- A Procuradoria-Geral da República Dominicana afirmou nesta terça-feira que a colaboração da construtora Odebrecht permitiu avanços na investigação sobre os US$ 92 milhões em propinas que a empresa admitiu ter pagado no país para obter contratos de obras públicas.

Através do acordo, homologado pela Justiça em abril, a Odebrecht se comprometeu a pagar US$ 184 milhões em multas e a revelar os nomes dos beneficiados pelas propinas que garantiu ter pagado em troca de que os funcionários da empresa não sejam julgados no país.

Em comunicado, a Procuradoria-Geral explicou hoje que, por causa do acordo, a Odebrecht entregou antes do prazo previsto valiosos dados ao Ministério Público da República Dominicana, recebidos depois de terem sido validados pelo Ministério Público do Brasil.

Entre os arquivos enviados estão e-mails com instruções, contratos fictícios, depoimentos de quatro dos executivos brasileiros identificando funcionários públicos dominicanos que receberam propina. Também enviaram registros de transferências de dinheiro através de bancos no exterior para o representante comercial no país.

Além disso, a Procuradoria-Geral afirmou que, através de sua filial dominicana, a Odebrecht segue fornecendo informações que geram novas investigações no país, mas que, por enquanto, estão sob o sigilo determinado pelo Código Processual Penal.

"Utilizando tais dados, aprofundamentos as investigações locais, com o fim de abranger diversas atuações ilícitas que a Odebrecht teria incorrido, bem como, desmantelar o esquema irregular que supostamente foi estruturado e operou no país", disse a nota.

As declarações da Procuradoria-Geral da República Dominicana foram uma resposta à Participação Cidadã, filial do país da Transparência Internacional, ter pedido informações "claras e precisas" sobre o nível do cumprimento do acordo firmado com a Odebrecht.

Até o momento, 14 pessoas foram acusadas pelo envolvimento no caso Odebrecht na República Dominicana, incluindo o ex-ministro de Indústria e Comércio Temístocles Montás e o presidente do Partido Revolucionário Moderno, Andrés Bautista. Ambos ficaram um mês presos, mas pagaram fiança e respondem aos processos em liberdade.

Ainda estão detidos o empresário Ángel Rondón, acusado pelo Ministério Público de ser a pessoa que recebeu e distribui as propinas, e o ex-ministro de Obras Públicas Víctor Díaz Rúa.

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