Advogado de Temer afirma que "querem transformar em ré um homem imaculado"

Brasília, 2 ago (EFE).- A denúncia formulada contra o presidente Michel Temer "carece de provas" e procura "transformar em ré um homem imaculado", afirmou nesta quarta-feira Antônio Cláudio Mariz de Oliveira, advogado do governante, perante o plenário da Câmara dos Deputados.

Mariz discursou na sessão em que os deputados decidirão se Temer deve ser submetido a um julgamento por suposta corrupção passiva, o que representaria seu afastamento durante 180 dias e sua cassação, caso seja considerado culpado.

Pela Constituição, o Supremo Tribunal Federal (STF) só pode instaurar um julgamento contra um governante em pleno exercício do poder se assim autorizar uma maioria de pelo menos dois terços (342) do plenário, integrado por 513 parlamentares.

Segundo os cálculos do governo, Temer tem o apoio de entre 250 e 280 deputados, mais que o suficiente para impedir um eventual julgamento.

Na sessão que concluirá com a votação que definirá o destino de Temer, Mariz afirmou que a denúncia formulada pela Procuradoria-Geral da República, com base em testemunhos de executivos do grupo JBS, é "fruto de uma elaboração mental, de uma ficção" e da vontade "de ver o país em dificuldades".

O advogado salientou que negar a autorização para o julgamento não é "uma garantia de impunidade", como sustenta a oposição, pois Temer seria julgado após o final de seu mandato, em 1º de janeiro de 2019.

"Será que não se pode esperar um ano e meio quando o país está em plena recuperação graças a este homem irrepreensível e vítima de uma ficção?", perguntou Mariz aos deputados, acrescentando que "ninguém pode acreditar que o presidente do Brasil pense em fugir nos próximos meses".

Em termos similares se pronunciou o deputado Paulo Abi-Ackel (PSDB-MG), autor do relatório que recomenda o arquivamento da denúncia que será votado hoje.

Abi-Ackel alertou sobre a "instabilidade política e econômica" que poderia criar a aceitação de "uma peça acusatória que carece de provas e de indícios periciais" no momento em que o Brasil está "em um processo de reconstrução" e vive uma "mudança positiva na sua economia".

Segundo o deputado, suspender Temer das suas funções neste momento semearia "desolação" entre os brasileiros e enviaria um "péssimo sinal" para os mercados financeiros.

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