Ex-ministro peruano presta depoimento sobre Linha 1 do Metrô de Lima

Lima, 2 ago (EFE).- O ex-ministro peruano de Transportes Enrique Cornejo prestou depoimento nesta quarta-feira ao procurador Hamilton Castro, que investiga pagamentos de propina da Odebrecht para receber a concessão da construção da Linha 1 do Metrô de Lima.

"Estou muito tranquilo, sou o único ministro que esteve à frente da obra, que está respondendo como corresponde", declarou Cornejo aos jornalistas.

O ex-ministro acrescentou que está "dando a cara, explicando, (mas) se houve pessoas que se equivocaram, têm que pagar", em alusão aos ex-funcionários do governo detidos por este caso.

Dentro do segundo mandato do presidente Alan García (2006-2011), a Procuradoria investiga os pagamentos de propina da Odebrecht para conseguir a concessão da construção da Linha 1 do Metrô de Lima, motivo pelo qual estão detidos o ex-vice-ministro de Comunicações Jorge Cuba e vários membros do comitê de licitação da obra.

Cornejo explicou que não houve adendos (acrescentados ao contrato original) nem excesso de despesas, e disse que a obra deve servir de "exemplo".

"Confio muito no Ministério Público e no Poder Judiciário, que estão fazendo uma tarefa transparente", disse o também ex-candidato à prefeitura de Lima.

Cornejo também afirmou que o caso Odebrecht "é uma excelente oportunidade para fazer um antes e um depois na luta contra a corrupção".

Nesse sentido, sugeriu que todos os contratos com o Estado devem ter uma cláusula de probidade, que permita estabelecer sanções a uma empresa que pretender cometer atos de corrupção, e exigir os mais altos padrões de qualidade internacional.

Na véspera, o ex-presidente Alan García compareceu à Procuradoria, de forma voluntária, para depor sobre o caso de corrupção na construção da Linha 1 do Metrô de Lima.

"Para mim ninguém disse ou insinuou que tenha me dado um centavo, nem a Odebrecht nem nenhuma outra empresa", declarou García ao "Canal N" de televisão após seu depoimento à Justiça.

O ex-presidente negou, além disso, estar vinculado aos crimes cometidos por funcionários do seu governo e disse que estes devem receber "cem anos de prisão" se essas acusações forem comprovadas.

"No direito, a responsabilidade penal do crime, do delito, é da pessoa que o comete, se um funcionário de segunda se corrompe, não corrompe o presidente", ressaltou.

No Peru, a Procuradoria investiga o pagamento de US$ 29 milhões em propina pela Odebrecht em um período que compreende os governos de Alejandro Toledo (2001-2006), Alan García (2006-2011) e Ollanta Humala (2011-2016).

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