Ex-primeiro-ministro tailandês é absolvido por morte de manifestantes em 2008

Bangcoc, 2 ago (EFE).- O Supremo Tribunal da Tailândia absolveu nesta quarta-feira o ex-primeiro-ministro Somchai Wongsawat, julgado pela responsabilidade em uma ação policial que causou a morte de dois manifestantes durante um protesto contra seu governo em 2008.

O painel de juízes eximiu Somchai da acusação de abuso de poder, assim como outros três acusados, o ex-vice-primeiro ministro Chavalit Yongchaiyudh e os então chefes da polícia nacional e da polícia metropolitana.

Os quatro foram julgados como responsáveis pela operação policial de 7 de outubro de 2008 para desalojar manifestantes antigovernamentais que tinham ocupado a Casa do Governo e tentavam fazer o mesmo com o Parlamento com os deputados dentro.

Na decisão, os juízes consideraram que o governo tomou então todas as precauções, incluídas repetidas advertências, antes de iniciar uma ação que também deixou cerca de 470 feridos, e que não foi possível provar que os acusados tinham a intenção de causar danos.

Os manifestantes eram os chamados camisas amarelas, contrários ao movimento político do ex-premiê Thaksin Shinawatra, que foi deposto em um golpe de Estado em 2006 precedido por protestos desse mesmo grupo.

Somchai, cunhado de Thaksin, tinha assumido o cargo um mês antes ao substituir Samak Sundaravej depois que este foi destituído pelos tribunais por ter cobrado taxas para participar de um programa de culinária na televisão.

A ação da polícia contribuiu para radicalizar os protestos dos camisas amarelas, que em dezembro ocuparam durante dias os dois aeroportos da cidade.

Esses protestos terminaram depois que o governo de Somchai foi destituído pelos tribunais, e foi formado um novo executivo liderado pelo opositor Partido Democrata.

O novo governo, liderado por Abhisit Vejjajiva, enfrentou os protestos dos chamados camisas vermelhas, partidários de Thaksin, que o Exército reprimiu em maio de 2010 após ter deixado mais de 90 mortos.

Abhisit e membros de seu governo foram absolvidos em 2015 de qualquer responsabilidade por essa operação.

O veredicto foi dado um dia depois que a ex-primeira-ministra, Yingluck Shinawatra, irmã de Thaksin, apresentou as conclusões de sua defesa perante o mesmo tribunal que a julga por negligência na supervisão de um programa de subsídios agrícolas.

Yingluck, forçada a renunciar pelos tribunais em 2014 em meio a protestos do mesmo esquadrão amarelo e dias antes de o Exército tomar o poder em um golpe de Estado, conhecerá em 25 de agosto a sentença de seu caso, que pode se transformar em uma pena de 10 anos de prisão.

A ex primeira-ministra já foi inabilitada por cinco anos pela mesma acusação e de forma retroativa em 2015 pelo parlamento escolhido a dedo pela junta militar.

Na semana passada, a Comissão Anticorrupção anunciou a intenção de abrir uma nova causa contra Yingluck pelo pagamento de indenizações de seu governo às vítimas da violência política.

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