Parlamento da Venezuela denunciará "manipulação" eleitoral na Constituinte

Caracas, 2 ago (EFE). - O presidente do Parlamento venezuelano, Julio Borges, anunciou nesta quarta-feira que a Câmara de maioria opositora solicitará ao Ministério Público uma investigação da "manipulação dos resultados eleitorais" da votação da Assembleia Nacional Constituinte do domingo, denunciada pela Smartmatic, empresa responsável pela votação.

"Não é apenas uma fraude. É um crime que começa pela própria cabeça do poder eleitoral", disse Borges, no Palácio Federal Legislativo antes do início da sessão de hoje.

A declaração foi feita pouco depois da Smartmatic denunciar que houve "manipulação" dos dados de participação na votação que elegeu a Assembleia Nacional Constituinte. Segundo a Justiça Eleitoral 8 milhões de venezuelanos votaram, mas esse total foi rejeitado pela oposição e pelo Ministério Público.

"A própria empresa tem dados nos servidores, que demonstram que todos os resultados foram aumentados", explicou ele, ressaltando que o Conselho Nacional Eleitoral (CNE) teria cometido uma fraude de "milhões de votos" e lamentando "que todos os cadeados tenham sido abertos para que não houvesse segurança dos processos".

Antes de começar a sessão, o presidente do Parlamento também falou sobre os militares, que fazem a segurança de todas as eleições no país.

"Saibam, oficiais das Forças Armadas, que vocês foram utilizados para uma fraude em massa e isso tem que tocar na consciência porque não podemos permitir que façam o que quiserem com o povo venezuelano", afirmou.

Diante desse cenário, Borges defendeu a abertura de um "processo de protesto social" e "de demanda legal" contra a fraude.

"Não se trata de qualquer denúncia, se trata da empresa Smartmatic. Está há mais de dez anos trabalhando em todas as eleições na Venezuela. São eles mesmos que estão dizendo. Não é um rumor. Eles podem comprovar pelos servidores que a quantidade de pessoas que votou no domingo foi muito menor do que o resultado anunciado pela CNE. O país não pode engolir uma Assembleia Nacional Constituinte eleita desse modo ", explicou.

Entre as primeiras medidas anunciadas pelo próprio presidente uma vez se instale este órgão plenipotenciário - cuja eleição foi convocada sem referendo prévio de aprovação, como é habitual nos processos constituintes - estará a eliminação da imunidade parlamentar e ajustes nas instituições do Estado críticas ao governo.

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