Procurador pede investigação sobre ex-ministro argentino por caso Odebrecht

Buenos Aires, 2 ago (EFE).- Um procurador da Argentina pediu nesta quarta-feira que Julio de Vido, ex-ministro de Planejamento Federal dos governos de Néstor Kirchner (2003-2007) e Cristina Fernández (2007-2015), seja investigado por suposta defraudação ao Estado em uma das causas que envolvem a Odebrecht no país.

Segundo confirmaram à Agência Efe fontes jurídicas, o procurador Federico Delgado solicitou ao juiz Daniel Rafecas que indague 16 pessoas, entre elas De Vido, que durante 12 anos foi o encarregado das áreas de obras públicas, energia e moradia, entre outros, e que já está indiciado em outras causas por corrupção.

Rafecas conduz a investigação da concessão a Odebrecht de um projeto de ampliação de gasodutos entre 2006 e 2008, um dos expedientes que pretendem elucidar a suposta implicação da construtora brasileira em irregularidades e pagamento de subornos para obter contratos de obra pública durante o kirchnerismo.

Esta é a primeira vez que exigem a citação como investigado na vertente argentina do escândalo de corrupção brasileira do ex-ministro e atual deputado, que nas últimas semanas esteve no olho do furacão depois que o Executivo de Mauricio Macri impulsionou no Congresso uma iniciativa para que fosse expulso como legislador pela quantidade de acusações que pesam contra ele.

No entanto, o partido opositor Frente Para a Victoria, ao qual pertence o ex-ministro, tinha cadeiras suficientes para bloquear a iniciativa, razão pela qual De Vido poderá continuar beneficiando-se dos privilégios parlamentares que evitam que possa ser detido.

O jornal "Clarín" publicou hoje uma informação confirmada pela Agência Efe que revela que Rafecas recebeu documentação na qual consta "um marcado direcionamento para beneficiar a Odebrecht" na adjudicação da construção de um gasoduto, para o que se calcula que houve uma supervalorização de US$ 800 milhões.

A construtora brasileira admitiu em dezembro do ano passado ter pagado na Argentina cerca de US$ 35 milhões em subornos, em um escândalo que atingiu tanto funcionários do governo anterior como do atual.

No entanto, ainda se desconhece os nomes daqueles funcionários ou empresários que supostamente teriam se beneficiado desses subornos. EFE

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