Temer consegue votos na Câmara para impedir investigação no STF por corrupção

(Atualiza com placar final da votação)



Brasília, 2 ago (EFE).- A base aliada de Michel Temer conseguiu na noite desta quarta-feira, em sessão na Câmara dos Deputados, votos necessários para impedir que seja levada ao Supremo Tribunal Federal (STF) a denúncia de corrupção passiva contra o presidente da República.

O placar final foi de 263 votos a favor do arquivamento da denúncia contra Temer, superando em ampla margem o mínimo de 172 que a base governista precisava para impedir que a oposição alcançasse no plenário da Câmara os 342 necessários para autorizar o Supremo a dar andamento ao processo. No fim, a oposição somou 227 votos.

O resultado garantiu que a denúncia por corrupção que a Procuradoria Geral da República (PGR) formulou contra Temer sobre a base de delações de diretores do grupo J&F seja arquivada e só possa ser retomada quando ele deixar o poder, em 1º de janeiro de 2019.

Temer assumiu a presidência em maio de 2016 de forma interina, e depois foi confirmado no cargo em 31 de agosto do mesmo ano, após o impeachment de Dilma Rousseff, de quem era vice-presidente.

Se a denúncia tivesse sido aceita, o presidente teria sido afastado de suas funções durante os 180 dias de duração do processo e, como Dilma, cassado se fosse consierado culpado.

A acusação contra o presidente tem como base delações de diretores do grupo J&F, que disseram ter pagado propina a Temer em troca de "favores políticos" desde 2010, e que essas práticas continuaram quando ele assumiu o poder.

Por essas mesmas delações, a PGR analisa se apresentará outras acusações contra Temer, a quem ainda investiga por suposta obstrução à justiça e associação ilícita. Caso elas sejam formuladas, o Supremo deverá enviar o assunto novamente à Câmara dos Deputados, que deverá realizar outro processo semelhante ao concluído hoje.

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