EUA consideram "ilegítima" a eleição da Constituinte na Venezuela

Washington, 3 ago (EFE).- O Departamento de Estado dos EUA declarou nesta quinta-feira que considera "ilegítima" a eleição da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) na Venezuela.

"Consideramos uma eleição ilegítima e estamos do lado da Assembleia Nacional (AN, parlamento, de maioria opositora)", afirmou a porta-voz do Departamento de Estado, Heather Nauert, em entrevista coletiva.

Nauert disse que o Departamento de Estado "não pôde analisar a apuração dos votos" do domingo, ao ser perguntada sobre a denúncia da empresa encarregada da contagem de votos, Smartmatic, de que teria havido manipulação sobre os dados de participação na eleição.

A representante da pasta também negou que os Estados Unidos tenham mantido contato com a Smartmatic, que afirmou na quarta-feira que os números oficiais de participação superam o número de pessoas que votaram em pelo menos um milhão.

Essa denúncia levou a procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz - que rompeu com o governo de Nicolás Maduro - a abrir uma investigação sobre essa suposta manipulação e finalmente a pedir a anulação da Assembleia Constituinte.

Os Estados Unidos já tinham deixado claro que não reconheceriam a Constituinte. Na última segunda-feira, o secretário do Tesouro, Steven Mnuchin, disse que considerava "ilegítimas" as eleições para os membros desse processo.

Em audiência perante o Senado na quarta-feira, o secretário adjunto de Estado para a América Latina e o Caribe em exercício, Francisco Palmieri, evitou usar essa palavra para se referir à eleição da Constituinte.

Ao ser pressionado o respeito pelo senador republicano Marco Rubio, Palmieri se limitou a dizer que a eleição "foi uma defeituosa tentativa de afundar as instituições na Venezuela" e "não seguiu os preceitos constitucionais" devidos. Ressaltou também que os Estados Unidos "não reconhecerão" esse órgão caso tome posse.

A expectiva é que nesta sexta-feira a Constituinte seja instalada na sede do Poder Legislativo, onde agora se encontra o Parlamento, de maioria opositora. O novo órgão terá poderes ilimitados para redigir uma nova Constituição e reformar o Estado sem que nenhuma instituição possa se opor.

Os Estados Unidos advertiram que responderão à instalação da Constituinte com novas sanções "imediatas e robustas", e ameaçou adotar medidas contra quem ocupar um lugar nesse órgão.

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