Glas diz continuar vice-presidente do Equador, apesar de suspensão de funções

Quito, 3 ago (EFE).- Jorge Glas disse nesta quinta-feira, em entrevista coletiva, que continua a ser o vice-presidente do Equador, apesar de o presidente, Lenín Moreno, ter suspendido suas funções, após a disputa entre ambos e as críticas de Glas ao governo em uma carta que divulgou ontem.

"Ainda que tenham me retirado funções oficiais, continuo a ser o vice-presidente de todos os equatorianos. Continuarei trabalhando com os pobres da minha pátria", disse Glas em uma coletiva de imprensa na qual alguns membros de sua equipe de trabalho que estavam presentes o aplaudiram antes e após se pronunciar.

O vice-presidente acrescentou que seguirá "lutando pela erradicação total da pobreza" e se queixou que sua situação atual se deve a "uma clara retaliação política" por agir conforme o que lhe diz sua consciência.

"Não podia ficar impávido, sentado ao lado de uma pessoa que continuamente atacava nosso projeto revolucionário, nossos companheiros, desqualificando os que foram ministros no periodo anterior, periodo em que ele foi vice-presidente de Rafael Correa" por seis anos, disse Glas em referência a Moreno, cujo nome não chegou a pronunciar.

Moreno recebeu a presidência do Equador de seu correligionário Rafael Correa em 24 de maio após vencer as eleições, com Glas como companheiro de chapa.

Glas afirmou que a suspensão nas suas funções ocorreu porque "sabiam que não podiam contar" com ele para acabar com leis decretadas no governo Correa, como de acréscimo contra a especulação da terra.

Ele lamentou que Moreno tenha retirado suas funções por "opinar, por criticar, por denunciar, por dizer a verdade".

"Com ou sem funções específicas, continuarei trabalhando com a mesma força e com o mesmo entusiasmo que fiz toda a minha vida pela minha pátria", disse, ao afirmar que desde ontem se sente "libertado" após presenciar "por dois meses como começa a ser desmontada" a "revolução".

Glas, que também foi vice-presidente de Correa e questionou que Moreno tenha dito que "herdou" da administração anterior uma "crítica" situação econômica, apontou que é leal aos princípios do ex-presidente.

Poucas horas depois de o decreto de Moreno ser tornado público, o governante escreveu no Twitter: "A política é a arte de ajudar os demais. Vamos limpar a política no Equador!".

Na entrevista coletiva, Glas respondeu. "Limpar a política, ele diz. Aí estão os frutos dos diálogos, a distribuição de empresas públicas", afirmou, em referência à suposta concessão da administração de companhias estatais a políticos de oposição.

O vice-presidente reconheceu que lhe causou "dor" ter sido deslocado, entre outras atribuições, do Comitê para reestruturar as províncias de Manabí e Esmeraldas, afetadas em abril de 2016 por um terremoto de magnitude 7,8 que deixou mais de 670 mortos e graves perdas materiais.

Glas informou que teve negada a permissão para o uso do avião presidencial e responsabilizou Moreno e Eduardo Mangas, secretário do governante, por seu segurança e a de sua família.

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