Ministério Público da Venezuela pede anulação da Assembleia Constituinte

Caracas, 3 ago (EFE).- O Ministério Público (MP) da Venezuela pediu nesta quinta-feira perante um tribunal do país a anulação da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) eleita no último domingo, que foi rejeitada pela oposição e boa parte da comunidade internacional.

Através da sua conta no Twitter, o MP indicou que dois promotores solicitaram a medida perante um tribunal de controle, um dia antes da instalação da ANC, que terá poderes ilimitados para redigir uma nova Constituição e reformar o Estado sem que nenhuma instituição possa se opor.

"O requerimento dos promotores se baseia nos supostos crimes cometidos durante o processo eleitoral", acrescentou o órgão em outra mensagem.

A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, anunciou na quarta-feira a abertura de uma investigação sobre a suposta manipulação dos resultados da votação, que envolve quatro reitoras do Conselho Nacional Eleitoral (CNE) do país.

"Ordenei investigar se estamos diante de um crime, inclusive de lesa-humanidade. Por isso, designei dois promotores para investigar quatro reitoras da CNE por este fato escandaloso", afirmou Luisa em uma entrevista à emissora "CNN", após a empresa encarregada do sistema de votação nas eleições denunciar uma manipulação da taxa de participação.

Segundo a CNE, 8.089.320 pessoas - 41,53% dos cidadãos aptos a votar - participaram no domingo de uma votação marcada pelos protestos e distúrbios que deixaram pelo menos dez mortos.

No entanto, Antonio Múgica, diretor da Smartmatic, companhia que instalou 24 mil urnas eletrônicas na Venezuela, afirmou na quarta-feira que os dados oficiais aumentam o número de eleitores que votaram em pelo menos um milhão.

Além disso, a procuradora-geral pediu uma nova auditoria com "especialistas nacionais e internacionais, mas sem as reitoras da CNE porque elas são as primeiras questionadas".

Luisa rechaçou a eleição da ANC por considerá-la uma "ambição ditatorial" do chavismo e denunciou que devia "ser convocada pelo povo" e não pelo presidente Nicolás Maduro, o que a transformou em uma das vozes mais críticas em relação a este processo.

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