MP da Venezuela avaliará possível manipulação de resultados na Constituinte

Bogotá, 2 ago (EFE).- A procuradora-geral da Venezuela, Luisa Ortega Díaz, anunciou nesta quarta-feira a abertura de uma investigação sobre a suposta manipulação dos resultados da votação para a Assembleia Nacional Constituinte no último domingo, que envolve quatro reitoras do Conselho Nacional Eleitoral (CNE).

"Ordenei investigar se estamos na presença de um crime, inclusive de lesa-humanidade. Por isso, designei dois procuradores para investigar quatro reitoras do CNE por este fato escandaloso", afirmou Ortega em uma entrevista à emissora "CNN", depois que a empresa a cargo do sistema de votação denunciou uma manipulação dos números de participação.

"Também estamos avaliando se levaremos a denúncia a organizações internacionais, uma vez que estamos diante de possíveis crimes de lesa-humanidade", acrescentou a procuradora-geral.

Segundo o Conselho Nacional Eleitoral da Venezuela, 8.089.320 pessoas - o 41,53% do censo - participaram no domingo da jornada de votação que esteve marcada por protestos e mortes.

No entanto, Antonio Múgica, executivo da Smartmatic, a empresa que instalou cerca de 24 mil urnas eletrônicas na Venezuela, afirmou hoje que as cifras oficiais superestimam o número de cidadãos que compareceram às urnas em pelo menos 1 milhão de votos.

"Calculamos que a diferença entre a participação real e a anunciada pelas autoridades é de pelo menos 1 milhão de votos", disse Múgica.

Para Ortega, "este anúncio é bem grave, pois indica que houve manipulação" e é necessário medir o alcance deste fato, que representa, segundo ela, "mais um elemento do processo fraudulento e inconstitucional" de convocação da Constituinte.

Além disso, a titular do Ministério Público da Venezuela solicitou uma nova auditoria com "especialistas nacionais e internacionais, mas sem as reitoras do CNE", com o objetivo de determinar responsabilidades.

Ortega rechaçou a eleição da Assembleia Nacional Constituinte (ANC) por considerá-la uma "ambição ditatorial" do chavismo e denunciou que o processo deveria "ser convocado pelo povo", e não pelo presidente Nicolás Maduro, o que a transformou em uma das vozes mais críticas à Constituinte.

"Tenho que dar uma resposta ao país para oferecer segurança, pois esta Constituinte tem atribuições infinitas", opinou hoje Ortega ao indicar que, com a instalação da Assembleia, prevista para esta sexta-feira, "será instituído um órgão com superpoderes".

Além disso, a procuradora-geral pediu medidas para "paralisar a instalação" da ANC ao considerar que existem indícios de que "nem 15% dos eleitores votaram".

A Venezuela vive uma série de manifestações a favor e contra o governo desde o dia 1º de abril, que até agora já deixaram 121 mortos, uma situação que escalou com a eleição da Assembleia Constituinte, na qual a oposição não participou por considerá-la uma fraude.

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