ONU expressa preocupação por repressão de manifestações na Mauritânia

Genebra, 3 ago (EFE).- O Escritório do Alto Comissário das Nações Unidas para os Direitos Humanos expressou nesta quinta-feira sua preocupação pelos distúrbios que estão ocorrendo na Mauritânia em decorrência de uma polêmica reforma constitucional, especialmente pelo uso excessivo da força exercido pelas autoridades contra os manifestantes.

Em um comunicado, a porta-voz do escritório, Ravina Shamdasani, disse estar "preocupada" pela aparente "supressão das vozes dissidentes" de pessoas que se opõem ao referendo constitucional que acontecerá no próximo domingo no país africano.

Desde o último dia 21 de julho houve manifestações diárias de pessoas que se opõem à reforma, apesar de as autoridades não as permitirem.

As manifestações que aconteceram foram dispersadas de forma violenta "e, em vários casos, os líderes da oposição receberam uma surra e vários deles foram detidos".

Para esta tarde estão programados novos protestos, segundo Shamdasani, que "urgiu" que o governo se assegure de que a resposta às manifestações está "em linha" com suas obrigações internacionais e que respeite os direitos à liberdade de expressão, de opinião e de manifestação.

"Estes direitos são especialmente importantes em um contexto pré-eleitoral", lembrou a porta-voz, pedindo contenção a todas as partes.

Além disso, Shamdasani destacou que o governo da Mauritânia deve fazer o referendo respeitando os padrões de eleições livres, críveis e transparentes.

Os manifestantes protestam contra o controverso referendo constitucional que prevê emendas aprovadas no marco de um diálogo organizado em outubro de 2016 entre a maioria presidencial e parte da oposição, mas que foi boicotado por uma ampla coalizão opositora composta por uma dezena de partidos políticos, sindicatos e organizações da sociedade civil.

A eliminação do Senado, que será substituído pelos conselhos regionais, e a modificação da bandeira e do hino são algumas das emendas estipuladas.

Após serem aprovadas pelo governo, as medidas foram rejeitadas em uma primeira votação no Senado, apesar de na câmara alta serem majoritários os senadores ligados ao Executivo.

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