Justiça anula penas de condenados por massacre de civis em Bagdá em 2007

Washington, 4 ago (EFE).- Um tribunal de apelações dos Estados Unidos anulou nesta sexta-feira as penas contra quatro ex-funcionários da companhia militar privada Blackwater, condenados em 2014 pelo assassinato de 14 civis iraquianos, sete anos antes, durante operação em Bagdá.

Os agentes dispararam contra pessoas que estavam na Praça Nisour, no centro da capital do país, na tentativa de abrir caminho para a passagem de um comboio do Departamento de Estado, pouco após a explosão de um carro-bomba na região.

O governo do então presidente George W. Bush contratou os serviços da Blackwater, para oferecer segurança aos funcionários americanos atuando no Iraque.

Nicholas A. Slatten, um antigo franco-atirador do Exército, foi condenado por um juiz federal a prisão perpétua, por assassinato, ao ser apontado como o autor dos primeiros disparos na Praça Nisour. Paul A. Slough, Evan S. Liberty e Dustin L. Heard, por outro lado, pegaram penas de 30 anos, cada.

Hoje, um tribunal de apelações anulou as penas contra os quatro envolvidos, por considerar injusto imputar acusações de porte de armas, por todos terem sido obrigados a utilizarem armamento, devido o trabalho que executavam.

Além disso, a justiça considerou que Slatten merece um julgamento em separado. Slough, Liberty e Heard, por outro lado, receberão novas sentenças, por isso, inclusive, com rebaixamento de penas.

William Miller, porta voz da Procuradoria de Washington, garantiu ao jornal "The New York Times", que a equipe de promotores está revisando as opções sobre os casos.

O caso da Praça Nisour obrigou o governo americano a revisar a relação com a empresa de segurança, diante das críticas recebidas pelo uso excessivo de força, além de ligação com casos de exportação de armas ilegais.

Entre 2002 e 2012, a Blackwater recebeu milhões de dólares em contratos privados da administração dos EUA, para proteger comboios, prédios, instalações militares e funcionários de países onde o Exército está atuando.

O fundador da empresa, Erik Prince, encaminhou à Casa Branca, para Steve Bannon e Jared Kushner, dois dos principais assessores do presidente Donald Trump, sugestão para a utilização de funcionários privados em lugar de tropas no Afeganistão.

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