Pelo menos 6 budistas são achados mortos em região conflituosa de Myanmar

Bangcoc, 4 ago (EFE).- Seis agricultores de uma minoria budista foram achados mortos no estado Arracão, no oeste de Myanmar e onde existe um conflito sectário com a comunidade muçulmana rohingyas, informaram nesta sexta-feira fontes oficiais.

Os corpos, achados na remota área de Mayu, apresentavam ferimentos a bala e arma branca, publicou no Facebook o comitê de informação do Escritório da Conselheira de Estado e líder de fato do país, o prêmio Nobel da Paz Aung San Suu Kyi.

A nota aponta que os "extremistas" como responsáveis pelo massacre, em referência ao grupo insurgente Exército para a Salvação Rohingya de Arakan (ARSA, por sua sigla em inglês).

O ARSA, formado por um número indeterminado da etnia rohingya que pegou em armas contra o Exército de Myanmar, negou estar por trás dos assassinatos.

"Atacar civis vai contra os interesses do nosso movimento", apontou a guerrilha em uma mensagem publicada no Twitter.

Segundo a versão oficial, um grupo armado atacou os agricultores durante a manhã de quinta-feira.

Pelo menos outras quatro pessoas da mesma aldeia estão desaparecidas.

Mais de um milhão de rohingyas vivem em Arracão, onde sofrem uma crescente discriminação desde o surto de violência sectária em 2012 que deixou pelo menos 160 mortos e cerca de 120 mil deles confinados em campos de deslocados.

As autoridades birmanesas consideram que os rohingyas descendem de imigrantes de Bangladesh, país que tampouco os reconhece.

A situação em Arracão piorou em outubro de 2016 com as operações militares para deter um grupo rebelde rohingya que matou nove agentes em um ataque contra vários postos policiais no começom desse mês.

Pelo menos 74 mil rohingyas cruzaram a fronteira com Bangladesh para escapar das operações militares que terminaram em fevereiro, entre denúncias da ONU de que tinham sido cometido numerosos abusos com a população civil, incluídos assassinatos, estupros e queima de casas.

Myanmar foi governado por generais desde 1962 até o ano 2011, quando começou uma transição tutelada pelos militares e que desembocou nas eleições de 2015, que foi vencida pelo movimento democrático de Suu Kyi.

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