Mais de 3 mil yazidis continuam sequestrados pelo EI três anos após genocídio

Azza Guergues.

Dohuk (Iraque), 7 ago (EFE).- Três anos após o genocídio cometido pelo grupo Estado Islâmico (EI) contra a minoria yazidi no Iraque, reconhecido pela ONU, 3.325 pessoas desse grupo permanecem sequestradas em regiões sob controle dos extremistas e milhares continuam deslocadas.

Entre os sequestrados pelos jihadistas, pelo menos 1.597 são mulheres, mantidas como escravas sexuais, relatou à Agência Efe o representante do departamento de Assuntos Yazidis do governo autônomo do Curdistão iraquiano, Idan Sheikh Kalo.

Os yazidis, minoria de etnia curda e cuja religião se baseia no zoroastrismo, foram duramente perseguidos no Iraque pelo Estado Islâmico, que os considera infiéis.

Já se passaram três anos desde que, em 3 de agosto de 2014, os homens desta minoria foram alvos de um massacre, enquanto milhares de mulheres e crianças foram sequestradas.

Desde aquele dia, pelo menos 4.038 pessoas dessa minoria foram assassinadas pelos jihadistas, parte delas jogadas em 43 valas comuns encontradas até o momento, segundo a contagem do departamento yazidi.

A maioria dos sequestrados que se acredita que continuam vivos está em zonas como Tal Afar, no norte do Iraque, e na cidade síria de Raqqa, considerada a capital do califado autoproclamado pelo EI. Kalo explicou que os terroristas costumam levar os sequestrados como escudos humanos quando fogem de um local.

Antes da invasão do EI em 2014, cerca de 550 mil yazidis viviam no Iraque, concentrados em Sinyar, no norte do país, segundo os dados deste organismo, fundado pelo governo da região do Curdistão após o massacre.

Pelo menos 360 mil deles foram deslocados à região do Curdistão, principalmente para as províncias de Erbil, Sulaimaniya e Dohuk, que concentra o grosso dos deslocados por ser a mais próxima a Sinyar. Outros 90 mil yazidis emigraram a países ocidentais nos últimos três anos.

Kalo, que é yazidi e teve de fugir de carro com a família de sua casa em Sinyar para Dohuk, classificou a situação dos deslocados yazidis nos acampamentos de Dohuk como "muito difícil em nível de saúde e psicológico".

O representante também destacou que o EI destruiu pelo menos 68 santuários religiosos onde os membros desta minoria religiosa, adoradora do sol, praticam os seus rituais.

Na opinião de Kalo, as minorias no Iraque continuarão sendo vítimas dos conflitos, motivo pelo qual pediu pediu a ajuda dos países ocidentais.

A Comissão Internacional Independente nomeada pela ONU para investigar as atrocidades cometidas na Síria acusou no ano passado o EI de realizar um "genocídio" contra a comunidade yazidi.

"Muitos dos yazidis continuam cativos na Síria, onde são submetidos aos mais inimagináveis horrores", destacou esse organismo.

Além dos yazidis, também foram perseguidas pelo EI as minorias shabak, kakai e cristã, que se concentra na planície de Ninawa, entre a cidade de Mossul e Erbil, a capital do Curdistão iraquiano. EFE

agm/vnm/id

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