ONG de direitos humanos da Turquia denuncia tortura de ativistas presos

Istambul, 7 ago (EFE).- A organização de direitos humanos turca IHD, uma das que têm maior prestígio no país, denunciou nesta segunda-feira que 43 ativistas do grupo presos há dois dias foram vítimas de agressões vítimas e torturados por agentes da polícia da Turquia.

Entre os presos está a diretora da filial da IHD em Istambul, Gülseren Yoleri, e um membro do conselho executivo da organização, Dogan Özkan.

"Após 20 horas em custódia policial, os advogados puderam falar com os presos e indicaram que quase todos os detidos foram submetidos a torturas e maus tratos", afirmou a IHD em comunicado.

"Essa prática contra os defensores de direitos humanos não é recente, nem será a última vez que ela ocorrerá", completou a nota.

No sábado, 33 ativistas do grupo foram presos em Istambul quando liam uma declaração de protesto pela situação de dois professores turcos, que permanecem presos desde maio e fazem greve de fome por mais de 150 dias. Pouco depois da manifestação, a polícia da cidade deteve outros dez membros do grupo que participaram do ato.

Os ativistas queriam protestar contra a decisão do Tribunal Europeu de Direitos Humanos, que se negou a exigir da Turquia a liberdade dos dois professores turcos por motivos de saúde.

"O Tribunal Europeu sabe que a Turquia aceitou os acordos internacionais sobre direitos humanos, mas agora que essas leis não são cumpridas dentro do país. Estão deixando essas pessoas morrerem. Acredito que essa decisão do tribunal dá poder ao Estado turco", disse o porta-voz da IHD em Istambul, Eren Keskin, em entrevista coletiva após a prisão dos membros da organização.

Sob estado de emergência, em vigor desde 20 de julho de 2016, o governo da Turquia tem amplos poderes e pode governar por decreto, fazer operações de busca e apreensão sem autorização judicial e prolongar o período de prisão preventiva antes de acusar oficialmente os suspeitos no país.

No fim de julho, um tribunal turco decretou a prisão preventiva de dez ativistas de direitos humanos, entre eles o da diretora da filial da Anistia Internacional no país, Idil Eser.

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