Uruguai diz que "insensatez" gerou nova suspensão da Venezuela do Mercosul

Montevidéu, 7 ago (EFE).- A decisão de suspender de maneira indefinida a Venezuela do Mercosul ocorreu devido à "insensatez" de outras partes, afirmou nesta segunda-feira o chanceler do Uruguai, Rodolfo Nin Novoa, sobre a recusa do governo da Venezuela em ouvir os pedidos dos outros países do bloco para fomentar o diálogo.

"Diante da insensatez de outras partes, a verdade é que tivemos que tomar essas medidas. Todos os atos têm consequências, desejadas ou indesejadas. A negativa em conversar, dialogar, fazer acordos tem consequências", frisou Novoa em uma entrevista à uma rádio local. "

O chefe da diplomacia do Uruguai afirmou que o país poderia ter se abstido da decisão de suspender indefinidamente a Venezuela do bloco, mas preferiu não fazê-lo, uma postura que foi adotada junto com o presidente do país, Tabaré Vázquez.

"Foi uma decisão pensada e meditada durante todo tempo porque estavámos fazendo esforços para que não ocorresse", explicou.

Novoa destacou que a puniçao é um sinal político para o governo de Nicolás Maduro. "Desde o ponto de vista comercial, do ponto de vista das relações diplomáticas, o que vai ocorrer com o povo venezuelano muda pouco na medida em que não há vontade de dialogar", completou.

O ministro ressaltou que conversou com representantes do governo da Venezuela em abril sobre a possibilidade de realizar consultas para ajudar o país a superar a atual situação. No tanto, o chanceler uruguaio disse perceber que governo e oposição não estavam dispostos a conversar sobre esse tema específico.

"As gestões junto ao governo venezuelano foram infrutíferas e decidimos aplicar o que estava previsto no Protocolo de Ushuaia do Mercosul", explicou Novoa.

O chanceler disse também que a Assembleia Nacional Constituinte promovida por Maduro também teve influência na decisão. Na segunda-feira, o Uruguai voltou a pedir ao governo da Venezuela que abrisse um diálogo com a oposição antes de os representantes do órgão, eleitos em um polêmico pleito, tomassem posse.

"Diante da negativa do governo venezuelano, não havia outra alternativa a naõ ser a que tomamos", explicou.

Novoa disse que a suspensão da Venezuela não foi uma decisão tomada com alegria pelos demais membros do Mercosul porque "separar um país latino-americano do processo de integração dói muito".

Para reverter a situação, o chanceler pediu que a Venezuela garanta a aplicação dos direitos humanos em todo o país, liberte os presos políticos e estabeleça um diálogo com a oposição.

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