Príncipe consorte acusa rainha Margarida II da Dinarmarca de não respeitá-lo

Copenhague, 8 ago (EFE).- O príncipe Henrique da Dinamarca acusou nesta terça-feira sua esposa, a rainha Margarida II, de menosprezá-lo e faltar com o respeito por não ter atendido seu pedido de equipará-los para poder receber o título de rei.

"A minha mulher não me deu ao respeito que uma esposa normal deve dar a seu companheiro", declarou Henrique em uma entrevista exclusiva à revista "Se og Hør", que antecipou hoje alguns trechos do texto que será publicado amanhã.

As declarações do príncipe, de 83 anos e que em janeiro de 2016 abandonou suas obrigações como consorte para ficar em um segundo plano, chegam dias depois que a Casa Real dinamarquesa confirmou que os seus restos não descansarão com os de sua esposa no sarcófago duplo construído na catedral de Roskilde (leste de Dinamarca).

Segundo explicou então a porta-voz desta instituição, Lene Balleby, a decisão de Henrique corresponde à conhecida insatisfação conhecida por seu papel na família real e com o seu título, ainda que será enterrado na Dinamarca, em um lugar que ainda não foi determinado.

"Ela zomba de mim. Não me casei com a rainha para ser enterrado em Roskilde (onde jazem os reis dinamarqueses há séculos). A minha mulher decidiu que quer ser rainha e isso me alegra. Mas como pessoa deve saber que se um homem e uma mulher estão casados, são iguais", acrescentou Henrique.

O príncipe consorte, com quem Margarida se casou em 1967 após ter conhecido este nobre de origem francesa quando era diplomata em Londres, rejeitou no entanto um possível divórcio e ressaltou o amor mútuo que existe no casal.

A entrevista foi concedida na semana passada no castelo em Caix (sul da França), antes de Margarida se encontrar com ele para passar dias lado a lado durante as férias.

A Casa Real dinamarquês segue a tradição de outros países europeus, que não outorgam o título de rei ao marido da rainha, senão somente o de príncipe consorte, um papel com o qual Henrique nunca se sentiu feliz, o que originou periódicas reclamações, com as conseguintes zombações em meios dinamarqueses.

Henrique colocou a Casa Real em um aperto em 2002 ao ir embora de suas férias na França depois que na recepção de Ano Novo, como a rainha estava doente, o príncipe herdeiro Federico foi o anfitrião.

Isto o fez se sentir "inútil" e "relegado" e fez com que não acompanhasse o casamento de Guillerme e Máxima da Holanda.

Os rumores de divórcio, luta de poder e depressões acabaram meses depois com uma sessão fotográfica da família, ainda que Henrique não tenha conseguido evitar o nome de "príncipe chorão" da imprensa amarela.

Henrique da Dinamarca protagonizou outro episódio polêmico em 2015, quando se ausentou dos atos de 75º aniversário da rainha alegando gripe, ainda que poucos dias foi visto de férias a Veneza com amigos.

As suas excentricidades, sua afeição à produção de vinho e à gastronomia e seu sotaque foram motivos de piada e lhe renderam certo ar de cult, que não duvidou em gravar uma música no piano com um grupo de rock ou em passear pela comuna de Christiania, assentamento de corte anarquista de Copenhague onde se vende haxixe. EFE

alc/ff

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