Quênia registra primeiros distúrbios após denúncia de fraude eleitoral

Nairóbi, 9 ago (EFE).- Os primeiros distúrbios começaram nesta quarta-feira no Quênia poucos minutos depois que o líder da oposição, Raila Odinga, acusou a coalizão governante de ter fraudado o sistema informático de contagem de votos das eleições realizadas ontem.

Em Kibera e em outros subúrbios da capital, Nairóbi, foi desdobrado um grande número de agentes perante o ambiente de tensão nas suas ruas.

Kibera, a maior favela do Quênia e reduto da oposição, foi uma das áreas de Nairóbi mais afetadas pela violência pós-eleitoral de 2007, quando os moradores brigaram entre si e incendiaram suas casas após outra denúncia de fraude eleitoral por Odinga.

A estrada de Mombaça, uma das principais vias de Nairóbi, foi bloqueada por um grupo de pessoas que começaram a lançar pedras, informaram à Agência Efe fontes diplomáticas.

Em outras partes do país, como em Kisumu (oeste), a polícia utilizou gás lacrimogêneo para dispersar um pequeno grupo de manifestantes que saíram às ruas após a denúncia de Odinga.

Com 74% dos votos apurados, a Comissão Eleitoral outorga a vitória a Kenyatta com 54% dos votos e uma vantagem de dez pontos sobre Odinga.

"É uma fraude de gravidade monumental, não tivemos eleições", afirmou o líder da coalizão Super Aliança Nacional (NASA, pelas suas siglas em inglês), que não quis revelar onde tinha obtido esta informação.

Ontem, milhões de quenianos votaram pacificamente em eleições gerais marcadas pelo desejo de superar as diferenças tribais, mas também por uma elevada tensão perante a imprevisível reação popular que poderia gerar a rejeição dos resultados por parte do candidato derrotado.

Quase 19,6 milhões de quenianos foram chamados a comparecer a 40.883 centros de votação.

Nas últimas eleições em 2013, Kenyatta ganhou com 50,07% dos votos e evitou um segundo turno por cerca de 8 mil votos.

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