Rohani descumpre promessa e deixa mulheres de fora de ministérios no Irã

Marina Villén.

Teerã, 9 ago (EFE).- O presidente do Irã, Hassan Rohani, começou seu segundo mandato descumprindo uma de suas promessas de campanha ao apresentar um novo governo quase totalmente composto por homens.

Apesar de ter defendido uma maior participação feminina no Executivo durante a campanha e após ter sido reeleito, Rohani descumpriu as expectativas na indicação de seus ministros, nomeações que ainda precisam ser confirmadas pelo parlamento do país.

Os ministros são todos homens. As mulheres tiveram que se conformar, mais uma vez, em ocupar duas vice-presidências e um cargo de assessoria do governo da República Islâmica.

A até então vice-presidente e diretora da Organização de Meio Ambiente, Masumeh Ebtekar, passa a ocupar o mesmo cargo, mas na Organização em Assuntos da Mulher e Família, segundo o decreto publicado hoje pela presidência iraniana.

A professora de Direito da Universidade de Teerã Ara Joneidi foi nomeada para ser vice-presidente de Assuntos Legais. Já Shahindojt Molaverdi foi indicada para ser assessora presidencial para Direitos dos Cidadãos.

Molaverdi, que já fazia parte do governo, disse que a ideia de Rohani era incluir duas ou três mulheres nos 18 ministérios. Mas parece que as ressalvas dos conservadores o levaram a mudar de ideia e optar por indicações femininas apenas para vice-presidências e assessorias, que não requerem aprovação parlamentar.

A proposta de governo apresentada hoje indica ainda um retrocesso em relação ao primeiro mandato, no qual Rohani contava com três vice-presidentes mulheres e uma assessora.

A ativista reformista iraniana Fateme Aslanzadeh afirmou que a proposta de Rohani, lamentavelmente, tira a confiança das mulheres e fortalece a visão de que elas são só um "decorativo" e um meio usado para ganhar votos durante a campanha.

Aslanzadeh disse à Agência Efe que o presidente deveria revisar seu discurso na campanha, quando afirmou em reiteradas oportunidades que as mulheres são uma oportunidade e não uma ameaça para o Irã.

"Inclusive, se nos fixamos nos pontos de vista do imã Khomeini e no do atual líder supremo (Ali Khamenei), vemos que eles dão importância para o envolvimento das mulheres na tomada de decisões no país", indicou a ativista.

Não se espera que Rohani indique mais vice-presidentes mulheres ou que um ministro que tenha seu nome negado pelo parlamento seja substituído por uma mulher.

Desde a Revolução Islâmica de 1979, apenas uma mulher, Marzieh Dastyerdi, ocupou um cargo ministerial. Paradoxalmente, isso ocorreu durante o segundo mandato do governo do presidente ultraconservador Mahmoud Ahmadinejad.

A proposta de reforma ministerial apresentada por Rohani só tem oito novos nomes, nas pastas de Defesa, Informação e Comunicação, Economia e Fazenda, Educação, Justiça, Indústria, Cultura e Energia.

Entre eles, o destaque vai para o general de brigada Amir Hatami, que assume o Ministério da Defesa, e para Masud Karbasian, indicado para comandar o Ministério de Economia e Fazenda.

Figuras importantes do primeiro mandato seguem no cargo, como Mohammad Javad Zarif, ministro das Relações Exteriores.

O ministério proposto por Rohani também descumpre outra de suas promessas: rejuvenescer o governo. Com idade média próxima aos 60 anos, só o titular de Informação, Mohammad Javad Jahromi, tem menos que 40 anos.

Os deputados devem começar a debater os nomes propostos na próxima terça-feira. Rohani irá ao parlamento defender sua escolha.

O presidente reiterou que continuará no seu segundo mandato com seu programa de moderação e abertura ao mundo, mas também terá que satisfazer demandas de setores mais reformistas.

Esses grupos, que desempenharam um papel determinante na eleição de Rohani, pedem mais igualdade e liberdades.

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