Vice-presidente do Equador presta depoimento em 2 casos de corrupção

Quito, 9 ago (EFE).- O vice-presidente do Equador, Jorge Glas, foi nesta quarta-feira à Promotoria-Geral do Estado, em Quito, para prestar depoimento em dois casos de corrupção, um relacionado com a construtora brasileira Odebrecht e outro sobre questões petroleiras.

Glas chegou ao local às 8h15 locais (10h15 em Brasília) para ser ouvido pelo caso Singue, que investiga irregularidades em um contrato de 2012 para exploração do Bloco Singue, um campo de petróleo na Amazônia. Mais tarde, ele prestará depoimento à promotora Diana Salazar, responsável por apurar o escândalo que envolve o pagamento de propinas pela Odebrecht no país.

Na semana passada, a Promotoria-Geral do Equador informou que investiga mais de 20 ex-membros do governo, incluindo o vice-presidente, no caso Singue. O nome de Glas também aparece ligado ao esquema movimentado pela Odebrecht.

O vice-presidente negou na última sexta-feira uma nova versão apresentada pelo ex-diretor da construtora no Equador, José Conceição Filho, que afirma que a Odebrecht pagou a Glas, entre 2012 e 2016, um total de US$ 14,1 milhões.

"A nova denúncia é uma adaptação grosseira do mesmo delator e corrupto confesso, que, além disso, agora usa espionagem política. Não nos derrotarão!", escreveu Glas em sua conta no Twitter.

Glas, retirado de suas funções pelo presidente do Equador, Lenín Moreno, após criticar o próprio governo, reforçou que a denúncia do ex-diretor da construtora brasileira no país foi "forjada".

"É outra parte da vingança da Odebrecht para tentar me prejudicar. Sabem que somos o empecilho para seus atos corruptos", afirmou o vice-presidente.

A sede da Promotoria-Geral teve a segurança reforçada hoje para o depoimento de Glas. Cerca de 30 policiais, 12 deles da unidade contra distúrbios, estavam nos arredores do prédio. A medida é comum em situações em que pode haver protestos perto do imóvel.

Apesar da expectativa de manifestações, apenas 30 pessoas, apoiadores do vice-presidente, foram até o local para prestar apoio a Glas contra as acusações. Eles também criticaram Moreno, a quem acusam de ser responsável pela situação judicial de Glas.

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