Bolívia pede que embaixador americano se retrate de críticas a apoio a Maduro

La Paz, 10 ago (EFE).- O governo de Evo Morales pediu nesta quinta-feira que o encarregado de negócios da embaixada dos Estados Unidos na Bolívia, Peter Brennan, se retrate das críticas feitas ao apoio expressado pelo presidente do país à Venezuela.

Em uma coletiva em La Paz, o ministro da Presidência, René Martínez, pediu "respeitosa e firmemente" a Brennan que se retrate das declarações, que tem uma "intencionalidade direta de ingerência nos assuntos de governos democraticamente eleitos".

Martínez se referiu a uma entrevista concedida por Brennan à agência "Fides", na qual o diplomata americano desejou que a Bolívia "nunca chegue ao ponto em que está a Venezuela porque a situação lá é deplorável e muito lamentável".

"Não posso entender como alguns líderes da esquerda, inclusive, podem defender um governo militar que está matando as pessoas nas ruas, coisas que eram do passado da América Latina, e como podem defender um governo ditatorial, como disseram vários dos presidentes da região na América Latina, que foi democrática por 30 anos", afirmou Brennan.

O ministro boliviano classificou como uma "grosseria" chamar o governo da Venezuela como "ditadura militar" e expressou sua "rejeição e condenação" às declarações do diplomata americano.

"Não permitiremos que essas declarações de ingerência que buscam o desprestígio do nosso governo e que fazem uso de uma representação diplomática para desprestigiar um governo eleito pelo soberano venezuelano", completou o ministro.

Martínez também confirmou o apoio da Bolívia ao governo de Maduro e à Assembleia Nacional Constituinte instalada na Venezuela.

O governo de Morales é um dos poucos da região que manteve o apoio a Maduro depois da Constituinte. O presidente da Bolívia acusou os EUA de gerar a violência na Venezuela com a intenção de provocar uma intervenção para se apropriar dos recursos naturais.

Em uma aparente alusão às declarações de Brennan, o presidente boliviano afirmou no Twitter que os "EUA nos ameaçam e se esquecem que expulsamos seu embaixador por ingerências parecidas. A Bolívia e a Venezuela não são áreas de lazer para ninguém", afirmou.

Bolívia e EUA não têm relações em nível de embaixadores desde 2008, quando Morales expulsou o então embaixador americano, Philip Goldberg, de La Paz, acusando-o de conspiração e ingerência política. A Casa Branca respondeu com a expulsão do então embaixador boliviano nos EUA, Gustavo Guzmán.

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