Cuba nega ataque a diplomatas dos EUA e oferece ajuda em investigação

Havana, 9 ago (EFE).- O governo de Cuba assegurou nesta quarta-feira que jamais permitiu que a ilha fosse utilizada para ações contra diplomatas e se mostrou disposto a cooperar para esclarecer alguns "incidentes" que afetaram a saúde de funcionários da embaixada dos Estados Unidos em Havana.

O Ministério das Relações Exteriores (Minrex) de Cuba se manifestou desta forma em um comunicado lido na televisão estatal, em resposta ao anúncio do Departamento de Estado dos EUA, que em maio exigiu a saída de dois diplomatas cubanos em Washington como consequência desses "incidentes".

Os EUA não esclareceram quais foram esses incidentes, mas, segundo a emissora "CNN", que citou fontes oficiais, pelo menos dois diplomatas americanos tiveram que retornar a seu país no ano passado para receberem tratamento após terem sofrido "um ataque acústico" com "dispositivos de som".

Segundo a "CNN", como resultado do suposto "ataque acústico" sofrido pelos diplomatas em Cuba, alguns deles acabaram tendo perda de audição permanente.

No texto divulgado na noite desta quarta-feira, o Minrex "enfatiza categoricamente que Cuba jamais permitiu, nem permitirá, que o território cubano seja utilizado para qualquer ação contra funcionários diplomáticos credenciados e seus familiares, sem exceção".

Além disso, o ministério reiterou sua "disposição para cooperar para esclarecer a situação".

De acordo com a versão cubana, no dia 17 de fevereiro o Minrex foi informado pela embaixada americana e pelo Departamento de Estado "sobre a suposta ocorrência de incidentes que causaram problemas a alguns funcionários dessa sede diplomática e seus familiares".

"Cuba tomou com seriedade este assunto e agiu com celeridade e profissionalismo para o esclarecimento desta situação, iniciando uma investigação cansativa, prioritária e urgente por indicação do mais alto nível do governo cubano", acrescentou o Minrex.

O governo cubano "transmitiu à embaixada americana a necessidade de compartilhar informação e propôs estabelecer cooperação entre as autoridades competentes de ambos os países".

Além disso, foram "ampliadas e reforçadas as medidas de proteção e segurança da sede, de seu pessoal e das residências diplomáticas", entre outras ações, afirmou a Chancelaria cubana.

Em Cuba, a maior parte do pessoal diplomático e suas famílias residem em moradias que pertencem ao Estado cubano e existe uma normativa muito restritiva para que os estrangeiros que vivem temporariamente na ilha possam alugar casas de cubanos de forma particular.

Em 23 de maio, os EUA comunicaram a Cuba que dois dos seus funcionários em Washington deveriam abandonar o país, uma decisão "injustificada e infundada", segundo o Minrex, o que motivou um protesto do mesmo.

O ministério reafirmou que a ilha "cumpre com todo rigor e seriedade" a Convenção de Viena sobre Relações Diplomáticas de 1961 no que se refere à proteção da integridade dos agentes e sedes diplomáticas, e defendeu que Cuba é um "destino seguro para visitantes e diplomatas estrangeiros, inclusive os americanos".

Esta polêmica veio à tona hoje depois que a porta-voz do Departamento de Estado dos EUA, Heather Nauert, ofereceu à imprensa uma explicação misteriosa sobre incidentes sofridos por diplomatas dos EUA em Havana e que provocaram, por sua vez, que Washington solicitasse a Cuba que dois de seus funcionários deixassem o país.

A porta-voz detalhou que o governo americano está investigando o ocorrido há alguns meses, argumentou que a política do Departamento de Estado é não dar detalhes quando se trata da saúde de cidadãos americanos e apenas confirmou que a vida dos afetados não correu perigo.

Nauert não detalhou que agência do governo está liderando a investigação do ocorrido, mas uma fonte oficial do FBI, a polícia federal dos EUA, confirmou à emissora "CBS" que a agência participa das averiguações.

A porta-voz também enfatizou várias vezes que o governo de Donald Trump "leva muito a sério" esses "incidentes", pois o Executivo cubano "tem a responsabilidade de proteger" o pessoal diplomático americano "segundo a Convenção de Genebra".

As relações entre Havana e Washington se deterioraram após a chegada à presidência de Donald Trump, que cumpriu, em parte, sua promessa de campanha aos exilados cubanos em Miami de que voltaria atrás na política de aproximação bilateral iniciada em 2014, sob a administração de Barack Obama.

Trump anunciou em junho um endurecimento das condições sob as quais os americanos podem viajar para Cuba e a proibição às empresas de seu país de realizar negócios com companhias vinculadas às forças armadas da ilha.

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